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Talento desadaptado

“Para cada um de nós, nas nossas vidas, chega aquele momento especial em que somos tocados ao de leve no ombro e se nos oferece a hipótese de fazer algo de especial, único, adaptado aos nossos talentos. Que tragédia se esse momento nos encontrar impreparados ou desqualificados para o que poderia ter sido a nossa melhor hora.”

Esta frase, infelizmente, só tem de minha uma mal-amanhada e encurtada – por causa dos caracteres - tradução para português; foi Churchill quem a proferiu.

Sinto uma necessidade tremenda de estar à altura dos actuais acontecimentos. Como nunca antes senti! Porque, responsável por uma empresa, tocaram-me no ombro e sei que várias vidas dependem do que eu conseguir fazer por elas. Mas um medo, não menor, de não conseguir corresponder e de perder aquela que poderia ter sido a minha melhor hora, tolhe-me o raciocínio. Desde logo aqui, na escrita.

Quando vim para casa, há um mês, achei que iria aproveitar o tempo para escrever qualquer coisa. A verdade é que não sai nada, nem sequer nada de mau, a não ser dois artigos que para o DN alinhavei, mais por obrigação. E um post no Facebook. Fossem todos os males esse...

Escudo-me no afã que têm sido estes dias, na procura de soluções, não só para mim mas igualmente para um todo maior que eu. Ao dia que escrevo, no entanto, não tenho nada para apresentar, a não ser umas sugestões que provavelmente nada resolvem...

Já disse, noutros fóruns, que não vejo condições para reabrir o destino antes de Dezembro e que, sendo assim, devíamos arranjar forma de aproveitar esse tempo para requalificar. O destino, as cidades, as unidades hoteleiras, os negócios. Para estarmos melhor preparados quando, nos mercados de origem, permitirem às pessoas que viajem.

Querendo ou tendo que abrir antes, também sugeri que se pegasse na “velha” ideia da aplicação do princípio da continuidade territorial de forma biunívoca (aplicável, portanto, aos residentes no Continente). Falei na possibilidade de negociar com as várias federações nacionais a eventualidade de aqui se terminarem os vários campeonatos. Tudo contributos, ideias, que a outros caberá, querendo ou podendo, implementar.

O foco principal, no entanto, tem sido outro e não posso esconder o quadro actual. Com excepção de uma evolução de atitude, positiva, por parte do sector bancário, não temos layoff aprovado nem sabemos se o vai ser; não temos linha covid regional aprovada nem sabemos se a vamos ter; não temos pedidos de financiamento aprovados nem sabemos se os vamos ter; não recebemos do IDE verbas devidas e não sabemos se as vamos receber. E não temos receita, antes assistimos a um avassalador número de cancelamentos de reservas, muitas delas sujeitas a reembolso, que esvaem a nossa tesouraria.

Ao mesmo tempo, as obrigações mantêm-se, mesmo que algumas delas mais reduzidas. Até as fiscais, curiosamente. E o fim do mês está aí à porta...

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