Solução está “mesmo aqui ao lado”

16 Mar 2019 / 02:00 H.

Continuamos todos a olhar para o ar quando devíamos olhar para o chão e sobretudo para o mar. Mas não é de hoje , parece que as soluções mais difíceis são sempre as melhores e até podem ser as que ficam melhor na fotografia o que não quer dizer que sejam as mais práticas , viáveis e interessantes para quem delas usufrui. Quero com isto dizer que continuam a existir problemas sem solução à vista para o transporte aéreo e todas as suas limitações a que temos assistido e segundo me parece Porto Santo e Madeira continuam muito afastados um do outro. Devia existir uma continuidade territorial mais assertiva e equilibrada que mantenha as populações mais próximas e possa assim assegurar maior qualidade de vida a uns e a outros.

Vamos então por partes. Em relação à questão da continuidade territorial parece-me a mim que esta não deve ser incluída no pacote turístico da região. Por muito que o Turismo seja fundamental para o crescimento e a sustentabilidade da ilha este não pode ser confundido nem sequer sobrevalorizado em relação ao transporte dos que por lá vivem. Parece que às vezes tendemos a esquecer que no Porto Santo vivem pessoas, que têm as suas necessidades , que carecem de logística e que vêem constantemente os seus processos rotineiros afetados pelas parcas condições existentes. Eu percebo que num roteiro turístico mais atraente o desembarque dos barcos no Funchal faça todo o sentido , até porque é assegurado por privados que querem dele retirar a maior rentabilidade possível e traduzir em interesse superlativo a viagem para os seus clientes mas será que é necessário pagarem-se fortunas todos os anos para que os residentes sejam incluídos no pacote quando uma viagem Porto Santo-Caniçal (por exemplo) podia eliminar mais de metade do tempo despendido e por isso assegurar mais condições para quem dele depende? Não é possível fazer um investimento em barcos que proteja os interesses desses sem estarem dependentes de quem nos visita? Parece-me a mim que seria bom para os dois lados e talvez num médio longo prazo se pudessem poupar uns largos milhões de euros.

Quanto ao transporte aéreo continuo e continuarei a bater na mesma tecla até que alguém me consiga esclarecer. Em média das muitas vezes que tenho viajado entre a Madeira e o Continente em cada 3 voos 1 tem problemas. Ou é cancelado, ou sofre atrasos consideráveis o que me condiciona a vida (a minha e de muitos) e me faz apanhar grandes secas porque até me avisarem disso obrigam-me a ficar fechado num aeroporto pequeno sem nada para fazer e nem me deixam sair para pelo menos ficar a trabalhar na ilha. Entre as horas que preciso de estar mais cedo e as consequentes que me obrigam sem tomarem uma decisão mesmo quando eu vejo na aplicação do telemóvel que o avião já deu meia volta há bastante tempo e já se dirige para Lisboa vão 4/5 horas de autêntico desespero. Ainda para mais para alguém como eu que viaja sozinho. Continuo a perguntar se não faz sentido criarem-se condições (como existe em inúmeros países do Mundo que sofrem do mesmo problema) para que possam existir lanchas rápidas e modernas bem como outro tipo de embarcações que possam fazer o transporte do Porto Santo para a Madeira. Desta forma não existiriam desculpas para a TAP não desviar os seus voos para lá em caso de condicionamentos climatéricos uma vez que o tempo de chegada à Madeira seria sensivelmente o mesmo que o de um qualquer aeroporto dos subúrbios de muitas cidades europeias até ao centro. Isso não seria condição essencial para começarem a definir parte dos voos diretamente para Porto Santo minimizando assim a probalidade de insucesso?

Garantir a continuidade territorial não é só garantir , é preciso fazê-lo com condições para diminuir as assimetrias já de si inerentes às especificidades de cada localidade. Olharmos para o Mar é cada vez mais olhar para o presente a pensar no Futuro. Porque continua a ser inexplicavelmente o nosso maior bem ao mesmo tempo quase inutilizado e desconhecido. A via Marítima abre-nos um Mundo de oportunidades que uma região cercada de água deve ter em conta e preocupar-se em investigar e explorar. Para o bem de todos.

José Paulo do Carmo