SNS - é viável. Deixem-se de demagogias!

30 Nov 2019 / 02:00 H.

Desde há pelo menos 35 anos que me tenho dedicado à atuação e investigação, de como é que os Serviços de saúde podem “ganhar” com os ensinamentos que a gestão nos traz.

Como é sabido gerir um hospital exige um conhecimento genérico de muitos sectores nomeadamente clínico (seu principal objetivo), mas cuidando doutros, não menos importantes, sem perder de vista o superior interesse de todos os atores.

Entendamos como atores, os que prestam e recebem os cuidados de saúde.

Ora, sendo certo que os que recebem, necessitam duma atenção muito especial, tanto no trato (humanização dos serviços) como na solução final (devolução à sociedade curado), muitos desafios se colocam a quem dirige, de modo a que os que praticam os atos estejam capacitados para os executar, com mestria e dentro de prazos razoavelmente aceites.

Em torno de tudo isto, roda todo um movimento administrativo e técnico que por ser rigoroso, por vezes é mal suportado pelos dois lados e incompreendido por alguns dos intervenientes.

Sem um sistema de saúde primário adequado, não há hospital que resista à desorganização e caos que se irá criar.

Sem uma excelente rede de cuidados pós hospitalares, bem integrada, agravará ainda mais todo o sistema.

Algumas das altas serão temporariamente entregues aos cuidados continuados, que sendo de menor custo, libertarão camas hospitalares (necessariamente muito mais caras), permitindo uma solução intermédia, mais próxima da comunidade e dos familiares, entre os dois prestadores de cuidados: Primários e Hospitalares.

Convenhamos que a Hospitalização domiciliária, que se tenta implementar agora e com grande sucesso, ajudará tremendamente à solução pretendida para um SNS viável.

A articulação entre os Serviços pré, pós e Hospitalar, não só é obrigatória como imprescindível.

Um qualquer cidadão que necessite dum qualquer tratamento mais específico que exija a sua passagem para a tutela hospitalar, em ambulatório ou internamento, deverá ver a solução do seu diagnóstico estabelecido e solucionado num prazo razoável (3 meses?) definido e escortinado por todos os intervenientes (Ministério, Ordens e Associações). Será aceitável uma diferenciação com base diagnóstica.

A não garantia de que assim será, deverá ser de imediato entregue a outra via de solução, primeiro dentro da rede e quando impossível, fora dela, nomeadamente “privada” (contratualizada) a preços nunca superiores aos gastos hospitalares e obrigatoriamente suportados por quem envia, melhor explicitando, pelo Hospital que não tem a capacidade instalada para resolver o problema no tempo definido. Aqui a referenciação é obrigatória. Esta referenciação pública é mandatária e distintiva da qualidade exigível aos intervenientes.

Não é adiando tratamentos médicos ou cirúrgicos que ganhamos eficiência.

Pois nunca se poderá esquecer o enorme prejuízo económico e social que é um cidadão estar privado de saúde por longos períodos, quer para o próprio, como para o seu empregador e em particular para a fazenda pública no geral (incluindo Segurança Social).

Se atentarmos nestes prejuízos acumulados sabemos quanto se perderá de PIB. Lanço um desafio aos economistas para fazerem as contas. Esse dinheiro, deveria ser empregue na melhoria da eficiência do SNS.

Assim todos ganharíamos.

Rui Freitas

Tópicos