Premiar a (In)competência

18 Mai 2019 / 02:00 H.

No final da década de 60 o livro “O Princípio de Peter” marcou toda uma geração de decisores.

A ascensão do ex- Ministro das Infraestruturas e do Planeamento Pedro Marques a cabeça-de-lista do partido socialista ao Parlamento Europeu veio confirmar que o referido princípio existe.

Pedro Marques, não ficará na história do Governo da República pelos melhores motivos, bem pelo contrário ficará associado ao investimento público mais baixo de sempre, quer em termos absolutos, quer em termos percentuais.

Será recordado como o Ministro dos mil e um anúncios e dos inúmeros investimentos prometidos na ferrovia e na rodovia, investimentos estes que nunca saíram sequer do papel ou lembrado como o Ministro que levou pela primeira vez Portugal a perder fundos comunitários.

Na verdade, a incompetência e a incapacidade são a marca e o rasto de Pedro Marques.

Mas esta marca e este rasto da incompetência deram jeito no bloqueio do Governo socialista à Madeira e foram por isso consentidas por António Costa e toleradas em nome da sua obsessão pela conquista da Região.

E deram jeito porque durante quase quatro anos, Pedro Marques, colocou na gaveta e empapelou matérias fundamentais para os madeirenses e porto-santenses como a revisão do subsídio de mobilidade, o apoio ao transporte aéreo de carga e o transporte marítimo “ferry”, entre outras.

É por isso também a imagem da incompetência que os madeirenses e porto-santenses retêm de Pedro Marques.

Mas se essa imagem deu jeito até uma determinada altura, rapidamente passou a constituir uma pedra no sapato de António Costa.

E quando isso aconteceu o Primeiro-Ministro tratou imediatamente de afastar Pedro Marques do poder, indicando-o a cabeça-de-lista do PS ao Parlamento Europeu.

Pedro Marques foi assim premiado pela sua incompetência, mas não é por ser premiado que deixa de ser incompetente.

A sua incapacidade de fazer e a sua incompetência continuam a ser a sua grande marca.

E antes que se começasse a dizer na campanha eleitoral que Pedro Marques não tinha feito nada, eis que aparece o slogan “Alguns falam, nós fazemos”.

Este cartaz é do ponto de vista comunicacional, de facto, inatacável, mas na sua essência traz isso mesmo, a tentativa de esconder que Pedro Marques e o Governo socialista não fizeram nada.

Bem pode a Comissária Europeia socialista Corina Cretu continuar a fazer vídeos de apoio a Pedro Marques referindo-o como “um óptimo negociador” dos fundos comunitários porque nós sabemos que não se trata de um verdadeiro vídeo de apoio, mas de um sinal de agradecimento pelo negócio que envolveu a perda de 7% dos fundos de coesão, em detrimento da Espanha, da Itália e da Finlândia.

Uma coisa é evidente, depois de ter afastado Pedro Marques do Governo é mais fácil para António Costa deslocar-se à Madeira.

É mais fácil para António Costa continuar a farsa e voltar a dizer aos madeirenses e porto-santenses o que sempre disse durante quatro anos.

É mais fácil para António Costa continuar a prometer o que ainda não foi capaz de cumprir, nomeadamente o financiamento do novo Hospital da Madeira, a revisão do subsídio de mobilidade, o pagamento à Região das dívidas, ou a redução efetiva da taxa de juro do empréstimo da Madeira.

A visita de António Costa à Madeira não trará nada de novo, é mais do mesmo. O Primeiro-Ministro continuará à vontade para fazer o que sempre fez, mas desta feita sem a cara e a sombra de Pedro Marques.

Termino, congratulando-me com a decisão de recandidatura da Cláudia Aguiar pelo excelente trabalho que desempenhou nos últimos cinco anos no parlamento europeu.

É importante que se continue a premiar a competência.

Sara Madruga da Costa