Porque não vota o Povo?

Simplesmente abstêm-se de exercerem o direito ao voto? Falta de tempo? Não acreditam nos políticos?

21 Set 2019 / 02:00 H.

Ultimamente as eleições em Portugal não cativam o interesse dos eleitores, tem sido habitual uma elevada abstenção, seja para as eleições Presidenciais, Legislativas ou Europeias.

Os políticos andam de feira em feira, de fábrica em fábrica, movimentam-se numa azáfama, não vá o “tacho” acabar! Os cartazes em cada canto e esquina, as entrevistas em todos os canais da televisão e nas rádios, desdobram-se em entrevistas, discursos, promessas (as mesmas de sempre) blá, blá, blá, blá.

Nos programas televisivos até parece uma luta ou jogo, no final fazem contas quem ganhou, nas redes sociais inventam-se perfis falsos enfim é um vale tudo.

Eu sentado no meu sofá entre a leitura do meu livro e o comando na televisão, pergunto-me:

- Porque não votou o povo? E, respondo não apenas com uma mas com duas questões, embora saiba que não se deve responder a uma pergunta com outra pergunta.

- Será que o povo não vota, porque acha que o País está bem entregue, que é tudo um mar de rosas? Ou:

- Será que o povo não vota, porque está desiludido, está farto dos políticos e da política, está farto da corrupção e compadrios e já não acredita?

Sei que a maioria dos leitores, dados a coisas simples, boas e adeptos das soluções mais simples e óbvias, optam pela primeira alternativa e diz sem qualquer hesitação: o povo está feliz, vive como nunca viveu, mesmo em tempo de crise tem cartão de crédito, telemóvel última geração, passeia imenso e come muitas vezes fora, tem dinheiro fácil e barato nos bancos (??). Então é preferível em dia de eleições, dar uma boa passeata á beira-mar, morfar uma possante rojoada com grelos, regada com tintol da zona e depois chonar a tarde inteira á sombra dos pinheiros enquanto a Maria fica a tricotar ou lê as últimas fofocas das revistas cor-de-rosa.

Caro leitor, eu entendo que o povo o simples cidadão não vota, porque já não acredita na politica, seja Europeia ou Nacional, e nos políticos muito menos, já não acredita que o voto é a arma do povo. O que mais se ouve por aí, quer nas filas dos transportes públicos, á mesa do café, nas filas dos hospitais ou centros de saúde, é que: á minha custa não hão-de mamar mais!

O povo está farto, cansado de ver e sentir que a politica e os políticos são sempre os mesmos e a mesma coisa. Enquanto o País, a politica e os políticos não deixarem de ser um grande caranguejo que apenas anda para trás enquanto vemos os outros países andar para a frente e passar por nós em todos os aspectos. Enquanto os responsáveis deste País não deixarem de passear tanto (a frota de automóveis topo de gama renovados, no valor de centenas de milhares de euros, que é o nosso dinheiro), enquanto o governo continuar a afirmar-se como um rebanho onde todos mamam em S. Bento, enquanto o parlamento continuar a ser uma cambada de gente acomodada que ganham milhões enquanto o Zé-povinho ganha tostões; enquanto a insegurança for cada vez maior, a justiça cada mesmo mais injusta, a saúde cada vez mais doente, a educação mal-educada, de que serve o povo ir votar.

Enquanto houver corrupção e a justiça apenas se fizer sentir para o peixe miúdo enquanto os tubarões continuam a fazer a sua vida a belo prazer mesmo vigarizando em milhões, Enquanto não se responsabilizarem os delinquentes dos milhões que foram para as vitimas dos incêndios, os gatunos e aldrabões, enquanto o circo for o mesmo, mesmo que os palhaços sejam outros. O povo continuará a dizer que não vale a pena.

O povo quer governantes que governem este país para todos e não apenas para alguns, que governem sem se governarem, que responsabilizem, mas sejam também responsabilizados, governam o país em função das necessidades e não em função da ideologia do partido, enquanto assim não acontecer, continuará a ganhar a abstenção, porque o povo está farto de votar para que nada aconteça.

José Maria Ramada
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