Pela nossa SAÚDE

21 Mai 2020 / 02:00 H.

Na nossa Região, o Governo Regional e as entidades de saúde tiveram um papel fundamental no controlo da pandemia de Covid-19, na gestão das medidas de confinamento e de salvaguarda da saúde de todos nós, sendo justo relevar também a atitude de comprometimento que os madeirenses assumiram desde a primeira hora.

Nesta fase da prevenção, os serviços regionais de saúde estiveram orientados para o processo da prevenção e do combate ao coronavírus, assegurando aos utentes as situações mais urgentes. Depois deste período de restrições, chegamos, finalmente, ao momento tão ansiado e, ao mesmo tempo, receado, da abertura da porta de casa ao mundo, da recuperação dos nossos direitos de mobilidade, da necessidade de assumirmos outros níveis de compromissos, ainda mais difíceis de gerir, retomando a vida o mais próxima possível da normalidade.

E é aqui que o Sistema Regional de Saúde deverá assumir as suas responsabilidades de forma plena, salvaguardando, sempre, sem hesitações, as questões de segurança. Espera-se do Governo Regional que encontre as melhores estratégias e as medidas mais eficazes, em termos da recuperação do tempo perdido, durante o período de encerramento dos cuidados de saúde. Não basta fazer uma conferência de imprensa a informar que o Sistema Regional de Saúde vai reabrir, de modo gradual, e que as pessoas devem aguardar pelo contacto de acordo com as especialidades médicas.

É pouco. Temos todas as condições para avançar muito mais, sem colocar em risco o sistema e o controlo da pandemia. A saúde dos madeirenses não pode ficar muito mais tempo à espera, pois, além dos grupos mais vulneráveis e dos casos mais complexos, os cenários considerados não urgentes podem passar para o nível de urgência se não forem atendidos a tempo.

A teleconsulta, apesar de constituir uma medida positiva que deve ganhar maior investimento, não é a solução para tudo. Não deixou de haver doentes de outras patologias, não deixou de haver a necessidade de recorrermos aos serviços de consulta presencial, aos exames de diagnóstico, às análises clínicas e às urgências. E existem as outras valências, tão importantes e estruturais para o bem-estar das nossas vidas, relacionadas com os projetos da prevenção, dos imprescindíveis rastreios, dos cuidados de saúde primários, do tratamento da saúde mental que se agravou com a atual conjuntura, entre outras áreas.

Como já constatamos, falta um programa de recuperação dos serviços de prestação de cuidados de saúde e já deveria ter sido apresentado, porque estiveram demasiado tempo como que em hibernação. Agora, exige-se outro tipo de dinâmicas. Os madeirenses ainda estão à espera de conhecerem a planificação que vai ser feita. Que estratégias vão implementar? Que reforço vão empreender nestas diversas especialidades médicas? Não basta retomar, exige-se um fortalecimento no âmbito das medidas, dos meios e dos recursos que possam garantir a recuperação dos cuidados de saúde a quem ficou para trás à espera.

Depois do Estado de Emergência e do Estado de Calamidade, torna-se fundamental implementar medidas políticas que ajudem a recuperar a confiança dos utentes em recorrerem aos cuidados de saúde a que têm direito, ajudando a quebrar os medos criados e alimentados por um vírus altamente contagioso e desconhecido.

Seria conveniente e revelador do nível de transparência do sistema regional se, a par de um plano de ação, divulgassem, por áreas de saúde, os dados estatísticos da situação atual. Ora, se antes da pandemia, a Madeira tinha 50 mil cidadãos em lista de espera para a realização de exames complementares de diagnóstico e terapêutica; 41 mil aguardavam por uma consulta hospitalar de especialidade; 21 mil encontravam-se em listas de espera por uma cirurgia, esperando, em média, 1050 dias pela sua vez, agora, com as restrições e contingências provocadas pela pandemia, como é óbvio, o panorama agravou-se, com especial acutilância no campo da saúde mental.

Por isso, insisto, não basta retomar a prestação de cuidados de saúde de forma gradual, os madeirenses e os porto-santenses exigem uma resposta mais robusta e eficiente por parte do Governo Regional.

Rui Caetano

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