Pagar o preço da opção de ousar fazer diferente

19 Jun 2019 / 02:00 H.

A nossa região desenvolveu-se muito. Na área da criatividade a diferença é abismal, mais escolas, mais formação, mais informação, mais profissionais e claro está, mais mercado.

Os madeirenses têm agora, muito mais informação disponível. Acho que isso tem contribuído para uma evolução positiva da nossa sociedade. A família e os laços familiares marcam o nosso perfil, e isso faz toda a diferença. A sociedade madeirense é equilibrada, calorosa, criativa e dá estrutura a uma Região que tem tudo para ser extraordinária, por isso acho espantoso que a sociedade civil esteja mais ativa e mais presente, isso é o futuro. Contudo, continuamos a não dominar bem as áreas da comunicação e a falhar em termos de gestão e acho que é aí que devíamos investir agora.

Para nós que operamos no território da inovação e do empreendedorismo, numa área complexa que cruza economia com cultura e com uma forte preocupação social, e porque ao invés de seguir modelos já existentes ou de replicar ideias, criamo-las de raiz e fazemo-las acontecer, ninguém nos paga para pensarmos, ninguém nos paga para fazermos. Não somos um laboratório de investigação cultural com fundos para testar e para inovar e o risco é sempre nosso. Costumo dizer que erramos 10 vezes para acertar 1.

Quando se age assim, nunca é simples. Não é fácil o nosso trabalho, mas nada nos dá mais prazer do que fazer o que fazemos, porque nunca vi nada que me apetecesse fazer igual, nunca vi nada que quisesse imitar. Sempre me pareceu essencial e incontornável fazer diferente. Gosto de felicitar quem ousa fazer e faz bem, não me incomoda o sucesso dos outros, antes pelo contrario. É por isso para nós normal termos de arriscar, é normal errar, é normal tentar. E necessariamente pagar! Pagar sem receios ou lamentações, o preço dessa opção. Para se fazer diferente tem de se trabalhar não com os meios que todos gostariam e sonham ter, mas com os possíveis, muitas vezes com o chamado “pelo do cão”, sempre no “fio da navalha”, sempre a fundo.

Acredito, que todos aqueles em que há uma competência de excelência associada à existência das suas capacidades naturais, cada vez mais raras, serão líderes não tarda e nesse caso acho que a Madeira está recheada de talento, devendo protege-los e ajuda-los no seu posicionamento, trabalhando para mercados de nicho, com produtos e serviços especiais, únicos, para mercados capazes de apreciar e valorizar a diferença. Não somos um produtor para as massas, pelo contrário. Daí que o rigor, a proteção das ideias, dos conteúdos, o dizer não a cópias baratas e à comunicação “rasca” de quem trabalha apenas para o imediato, seja fundamental para melhorar a marca Madeira.

A qualidade e a imagem são essenciais, associadas à visão, à estratégia, e, claro, à inovação.

Não queiram ser apenas mais um! Arrisquem!

Não tenham medo de pagar o preço da opção de ousar fazer diferente.

Sérgio Vieira de Nóbrega
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