O “BREXIT” que há em cada um de nós

14 Mai 2019 / 02:00 H.

Dia 26 de maio de 2019 temos eleições para o Parlamento Europeu, instituição europeia que deve refletir a vontade dos cidadãos dos diferentes estados membros. Portugal escolhe 21 dos 751 lugares.

A identidade europeia de cada cidadão europeu, com o projeto europeu, não é proporcional à distância de cada um, a Bruxelas ou a Estrasburgo. Nem é relacionada com o número de deputados que o seu país elege. A abstenção é de facto, o grande prejuízo para uma União Europeia, cuja construção também depende de cada cidadão e o problema (diria que é um problema) é transversal aos diferentes estados membros.

Para este fenómeno, entre outros aspetos, contribui a falta de informação/ desinformação, as escolhas de candidatos até ao desempenho do próprio candidato, situação que naturalmente cabe a cada cidadão avaliar. E se a discussão ficar ao nível de “quanto é que ganha um eurodeputado?” certamente muitos ficarão absorvidos pelo sentimento “brexit”: vou-me embora, pois não pago mais nada! É redutor limitar a discussão/decisão aos euros.

A saída ou a “não saída” do Reino Unido” com as implicações que se perspetivam, eventualmente controladas ou aligeiradas com acordos de boa vizinhança, também contribuirá para este sentimento individual de “brexit”. Os ingleses vão e nós ficamos porquê?

Este “brexit” ficará atenuado ou esgotado se for possível criar uma relação de identidade com o projeto europeu e para tal, muito contará o deputado português que, independentemente de ser eleito pelas listas do partido A ou B, é uma pessoa com provas dadas. A bancada do parlamento europeu não é bem o sítio para “primeiro emprego” ou “quase primeiro emprego”. Ao longo destes anos, muito do que o continente português e a Região Autónoma da Madeira beneficiaram de apoios comunitários, deveu-se também, ao desempenho dos parlamentares portugueses.

Ao contrário, os episódios novelescos em torno do tema CINM e a falta de solidariedade nacional neste assunto (de interesse nacional) infelizmente, constitui o maior dos exemplos da crucial importância de escolher portugueses que saibam defender “os seus”!

Obviamente que não poderia deixar de referir que o excelente trabalho da Cláudia Monteiro de Aguiar nestes 5 anos no Parlamento Europeu, que mereceu o reconhecimento dos seus colegas parlamentares de diferentes cores partidárias dos diversos estados membros, deve orgulhar-nos a todos. A Cláudia assumiu - como assumirá - o desígnio de representar o seu país e a sua Região, com a responsabilidade e empenho que lhe conhecemos e reconhecemos.

Rafaela Fernandes
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