O admirável mundo novo do Populismo

10 Set 2018 / 02:00 H.

“Serei o melhor presidente que Deus criou”, garantiu em Nova Iorque, a 16 de junho de 2015 no lançamento da sua candidatura, aquele que viria a ser o 45.º presidente dos Estados Unidos da América.

“Serei o maior criador de empregos que Deus já fez”, assumiu Donald Trump, num dos seus muitos discursos populistas.

Trump é apenas um dos rostos mais visíveis e extremos do populismo que emerge pelo mundo e do renascimento do nacionalismo que está na ordem do dia.

Graças à sua vitória, os conceitos de “populismo” e “distopia” entraram em voga, assim como uma incessante procura dos livros “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley e “1984” de George Orwell.

Um pouco por todo o mundo procuram-se explicações para este fenómeno que atingiu a Europa com o Brexit e que é também visível em França com o crescimento da Frente Nacional, na Grécia com o Syriza e em Espanha com o Podemos.

A História e a análise dos primeiros anos do século XXI impõem a compreensão e a perceção daqueles que para muitos constituem dois dos maiores votos de protesto da história da nossa democracia: a eleição de Trump e o Brexit.

Há quem atribua à economia e à globalização a culpa pelo surgimento dos referidos votos de protesto.

Há quem recorra à história do pensamento político, como Jaime Nogueira Pinto, para traçar o perfil e o percurso do pensamento político da ideologia hegemónica dos “iluminados” que nos têm governado ao longo dos séculos e dos “bárbaros” que se lhe têm vindo a opor, numa obra também de leitura obrigatória “Bárbaros e Iluminados. Populismo e Utopia no século XXI”

Há quem conclua que a origem do fenómeno se deve à falta de emprego, à emigração, às mudanças étnicas e às desigualdades dos novos tempos.

É o que afirma David Goodhart em “The Road to Somewhere”, para quem as desigualdades dos novos tempos não têm proveniência nas diferenças entre as classes sociais, mas numa nova divisão baseada na educação e na mobilidade geográfica que diferencia “os anywheres” dos “somewheres”.

Uma coisa é certa, para os populistas a ideologia não parece ser importante, nem o conteúdo, as ideias ou o programa, o que importa é parecer ser e chegar ao poder a todo o custo.

Um pouco por todo o lado, vão surgindo cada vez mais exemplos de políticos populistas, ocos, vazios de ideias e o discurso para chegar ao poder é sempre o mesmo: falam em nome do “povo” ou das “pessoas” e estão disponíveis para usar os partidos apenas para a tomada do poder e depois logo se vê.

É este também o caso das duas geringonças criadas em Portugal: a frente de esquerda que une PS, BE e PCP há três anos na República e a amálgama que constitui no Funchal a coligação “Confiança.”

Este verão político foi suficientemente revelador das suas verdadeiras intenções e dos seus reais propósitos.

Em Caminha, na festa de verão socialista, António Costa não teve qualquer pejo em admitir que ganhar as eleições legislativas na Madeira é uma das três metas para 2019, demonstrando uma vez mais que o PSD – Madeira teve sempre razão quando denunciou durante estes três anos, o cerco do governo central à nossa Região.

Se dúvidas houvesse sobre os reais motivos pelos quais o governo socialista não avançou com o co – financiamento do novo hospital, com a redução da taxa de juro do empréstimo da Região, com a revisão do subsídio social de mobilidade e com os pagamentos das dívidas, essas dúvidas ficaram suficientemente esclarecidas na rentrée política.

Afinal tudo se resume a um objetivo pessoal e político de António Costa: tentar ganhar a todo o custo e pela primeira vez as eleições legislativas regionais na Madeira.

Mas a rentrée política também deixou a nu esta semana no Funchal, outras estratégias de poder e revelou outros objetivos estritamente pessoais de outros intervenientes políticos.

A esse nível foi igualmente esclarecedor e revelador o objetivo pessoal de Paulo Cafofo que afirmou aguardar apenas pela marcação das eleições para abandonar a câmara do Funchal.

Como vimos, o referido presidente em “part-time” também não teve qualquer pudor em admitir que mentiu à população quando se apresentou como candidato a presidente da câmara revelando que nunca tencionou cumprir o mandato que assumiu perante os funchalenses até ao fim.

É curioso que o ainda presidente da câmara e candidato a presidente do governo regional numa iniciativa denominada “A Madeira que queremos- Diálogos com Paulo Cafofo”, apregoada por alguns como “iniciativa inédita” e “campanha da década” apenas por o candidato responder a questões preparadas pela assistência, Cafofo venha agora prometer fazer para as regionais aquilo que ainda não foi capaz de fazer na câmara com os funchalenses: sair do silêncio e iniciar diálogos com a sociedade civil.

Alguém se lembra de algum debate público ou de algum diálogo com a sociedade civil funchalense em torno de assuntos fundamentais para a cidade como a revisão do PDM, o corte indiscriminado de árvores, o Savoy ou o novo Dubai?

É esta “a nova forma de dialogar” e a ”campanha da década” que Cafofo pretende implementar agora com todo os madeirenses?

Para quando o fim do populismo?

Sara Madruga da Costa
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