Jogo da manhã ou do farelo?

14 Jan 2019 / 02:00 H.

Terminadas que estão as festas, é tempo de balanço, de perguntar como é que decorreu uma das épocas mais festivas do ano e de desejar a todos um bom ano novo.

Aqui pelo Norte, de uma maneira geral, penso que correram bem. No início, com as missas do parto, passando pela morte do porco e da galinha, até ao cantar dos reis. Bom, mas a data para o final da Festa não é igual em todas as localidades. Por exemplo, no Seixal, só termina com a festa em honra do padroeiro, o Santo Antão, assim como em S. Vicente, com a festa que se celebra a 22 de janeiro.

Mas os dias mais significativos são as oitavas da Festa e do Jesus (primeiro dia do ano), pois manda a tradição que dia de Festa não se sai de casa. Era nesses dias que as pessoas se reuniam num determinado sítio, por exemplo na eira, no adro da Igreja ou mesmo numa parte mais larga do caminho, para cantarem, fazer jogos, rodas, ou simplesmente conviverem. Uma tradição que se foi perdendo, como tantas outras.

Felizmente, ainda há alguém que não quer deixar que isso aconteça. Foi o que pudemos assistir na primeira oitava da festa, na mais bela terra do Norte, segundo a canção - o Seixal, onde se disputou um dos jogos tradicionais desta época: o puxar do cabo. Parabéns aos seixaleiros, foi uma tarde muito agradável.

Claro que enquanto decorria o jogo, a conversa seguiu à volta de outros jogos da época e, para espanto de muitos, jogos idênticos têm nomes diferentes em localidades próximas. Por exemplo, aquilo que em São Vicente é conhecido como jogo da manhã, no Porto Moniz é o jogo do farelo.

Para quem desconhece, é muito simples: num grupo indeterminado de pessoas há um com a cara tapada (por um pano ou casaco, por exemplo) e que coloca uma mão aberta atrás das costas. Depois, terá de adivinhar quem lhe dá a palmada na mão. Se acertar, é esse elemento que vai a jogo.

Enquanto os mais velhos falavam destas tradições, o filho do ti Ferreiro - que foi para a cidade novo e só depois da via rápida é que voltou a vir ao Norte, e que nunca assistiu a semelhante coisa, saiu-se com esta:

- Eh! Isso parece o jogo dos partidos. Ora vai um ao poleiro ora vai outro, mas o resultado é sempre o mesmo, porrada no que está amarrado ou tem a cara tapada.

Joel Freitas

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