Desafios e escolhas

16 Jan 2020 / 02:00 H.

No início da década passada, a Comissão Europeia encorajou os países e respetivas regiões ao desenvolvimento de estratégias de especialização inteligente à investigação e inovação.

Originalmente elaboradas em 2013, para entrada em vigor no ano seguinte, designaram-se (15) prioridades nacionais – enquadradas em cinco eixos temáticos.

A atual revisão em curso propõe a análise dos progressos verificados, sua atualidade e aplicação futura (em particular, para o novo quadro comunitário de apoio 2021-2027).

Ao nível regional, foram priorizadas as áreas (8): Biossustentabilidade; Energia, Mobilidade e Alterações climáticas; Qualidade Agroalimentar; Recursos e Tecnologias do Mar; Saúde e Bem-estar; Sustentabilidade; Gestão e Manutenção de Infraestruturas; Tecnologias de Informação e Comunicação e, por último, Turismo.

Num esforço de simplificação, estas encontram-se assinaladas no quadro conforme sua direta e/ou próxima relação com a Estratégia Nacional de Especialização Inteligente (ENEI).

Segundo a informação disponível, em 2017 os eixos ‘Tecnologias transversais e suas aplicações’, ‘Recursos naturais e ambiente’ e ‘Saúde, bem-estar e território’ representam, em conjunto, 86% do total regional (36%, 31% e 19% respetivamente).

Por si só, a combinação das áreas temáticas ‘Tecnologias de informação e comunicações’, ‘Economia do mar’ e ‘Saúde’ representam mais de metade (59%) da despesa.

Os dados apresentam um alinhamento – quase – virtuoso com a estratégia regional de especialização inteligente (EREI), ainda que ausentes os últimos anos (de 2018 e 2019).

A evolução recente entre 2014 e 2017 revela, porém, novas tendências: o crescimento significativo (ou mais do dobro da despesa a preços correntes) nas áreas de ‘Tecnologias de produção e indústrias’ de processo e produto, ‘Habitat’ e ‘Turismo’ – as primeiras ausentes da EREI.

Por sua vez, verifica-se uma variação negativa substancial nas áreas de ‘Transportes, mobilidade e logística’, ‘Floresta’, ‘Água e Ambiente’ e, menor, em ‘Saúde’.

Desafios para a nova geração da estratégia regional de investigação e inovação? A EREI implementada cumpre-se? Recomenda-se?

Escolhas – reorientação, consolidação, diversificação, restrição ou qualquer mix entre estas – serão essenciais, dado que nem todas as ações desejáveis são possíveis.

Os recursos disponíveis são limitados e as oportunidades antevistas situam-se em horizontes temporais específicos – no futuro. Ver-nos-emos lá.

Jorge Antunes

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