Democracia & outras notas

A CPLP apresenta um quadro a reclamar mudanças significativas

31 Jan 2018 / 02:00 H.

País mais livre de África

Cabo Verde, é um Pequeno Estado Insular, frágil e vulnerável, aparece sempre em grande no mapa das democracias e nos relatórios sobre “Liberdade no Mundo”. Muito recentemente, a Freedom House classificou o arquipélago como o país mais democrático de África e um dos mais livres do mundo (em 195 país, Cabo Verde obteve a mesma pontuação que a França, 90 numa escala de 100, e curiosamente mais que os Estados Unidos da América, 89).

Neste último relatório da organização norte-americana, Cabo Verde aparece diante de outros 10 países africanos também considerados “livres” e que são exemplos contra a perspetiva do “afropessimismo”. As Ilhas Maurícias estão em segundo lugar, com 89 pontos, seguidos pelo Gana (83), Benim (82), São Tomé e Príncipe (81), Senegal, África do Sul, Tunísia (78), Namíbia (77) e Botswana (72).

Note-se que Cabo Verde acabou de perder para a Costa do Marfim, em dezembro passado, a presidência (dita rotativa) da comissão da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), durante a cimeira de chefes de Estado da organização, em Abuja, Nigéria. Obviamente, não terá contado o critério da ordem alfabética instituída na organização e muito menos o mérito democrático do único arquipélago da sub-região. Sobre este último aspeto o quadro comunitário, à exceção do Benin (82) e do Senegal (78), não é o de países considerados “livres”. Vejamos: Burkina Faso (63), Cote D’Ivoire (52), Gâmbia, Guiné (41), Guiné-Bissau (40), Libéria (62), Mali (45), Níger (49), Nigéria (50), Serra Leoa (61) e Togo (48).

A CPLP, com mais de 260 milhões de habitantes, apresenta, no presente momento, um quadro a reclamar mudanças significativas, à exceção de Portugal (97), Brasil (72) e São Tomé e Príncipe (já referido). Os scores mais periclitantes são de Angola (24), Guiné-Bissau (40), Guiné-Equatorial (8), Moçambique (53), e Timor Leste (65). Quem sabe a presidência de Cabo Verde da CPLP não motive os países lusófonos em África a se posicionarem melhor no mapa das democracias e nos relatórios sobre “Liberdade no Mundo”? Eis uma questão que, a par da promoção da Língua Portuguesa à língua oficial e de trabalho da ONU, pode configurar o grande repto do mandato cabo-verdiano.

Outras notas

22. SEG | Prosódia romana

Como Medusa que petrifica quem a olhe | assim me pareceu Roma | depois de ter relido os 99 + 1 cantos da Divina Comédia | e experimentado os três círculos do universo | Não que “All’inferno” (de Arménio Vieira) fosse menos profuso que a primeira estação de Dante | nem apresentá-lo com Homero e Ovídio | Horácio e Camões | trazendo todos os absurdos de Kafka e os sonhos de Borges | confere-nos a perfeição do Cânone Ocidental | Ele é absolutamente literatura-mundo | algo visceralmente contemporâneo e arauto de um novo fazer cabo-verdiano | Entrementes olhando Roma entre a “sinistra” desmantelada e o “sinistro” dos seus poderes | a petrificação nas ruínas resistentes | Uma espécie de paraíso | porquanto “Il Paradiso e la terza ed ultima cantica della divina Commedia”...

23. TER | Stimela

Morreu um músico que eu amava | Hugh Masekela | ativista global pela liberdade e pela dignidade | compositor de fino quilate e trompetista singular | para muitos o “pai do jazz sul-africano” | Imenso embondeiro da arte | gente que exige que continuemos o amor...

26. SEX | Davos & a cesta básica da miséria

Davos | em plena orgia do poder e da riqueza | aporta um lastro tenebroso: mais de 80% da riqueza de todo o mundo está nas mãos de 1% da população | O cenário pornográfico (em verdade cenário de terror) é sabermos que apenas 8 das pessoas afortunadas tem igual ao património da metade mais pobre da população mundial | o equivalente a 3,6 bilhões de pessoas...

Filinto Elísio