Conhece o seu corpo?

As vacinas são a maneira mais barata e eficaz, de evitar uma doença e até de irradicá-la!

15 Jan 2020 / 02:00 H.

A minha resposta antecipada a esta pergunta é: - Provávelmente, não !

Há sempre muita conversa sobre a saúde, sobre doenças, principalmente entre as pessoas mais idosas, ou então nos hipocondríacos, sempre queixosos das suas “maleitas”, que lhes preocupam e incapacitam. Não há quem não fale da artrose ou do colesterol. As artroses, ou seja, o envelhecimento das cartilagens, com queixas articulares e com dificuldades em tudo e para tudo. A artrose pode iniciar-se quando o osso acaba de se formar, ... á volta dos 20 anos e depois evolui ou não, de acordo com o “trabalho” que se dá o corpo. O exercício físico impede uma evolução do desgaste e a inactividade e o excesso de peso provocam a degradação óssea. Sabemos muito bem a nossa altura ... até está no BI, ... mas não sabemos muito bem o nosso peso, ... - Setenta e tal! ... ou então ... - Antes, era mais pesado! Dois quilos a mais ou dois quilos a menos fazem muita diferença nas articulações. E o excesso de peso é um factor de risco, para o funcionamento do corpo humano. Como é fumar e beber! Os três juntos, correspondem a três “navalhas” apontadas ao coração! E, por razões fisiológicas, fumar é ainda mais prejudicial no sexo feminino!

E a perda de massa muscular? E as dietas para perder peso á força? E afinal, como perder peso fácilmente ? ... á custa do músculo, das gorduras, ou dos líquidos? Perguntas simples, mas complicadas em responder. Sabemos que no país há 30 a 40% de obesidade e excesso de peso juntos. Deve perder-se peso, sem pressas, com alimentação adequada - mas, conhecendo sempre a proveniência daquilo que se come - fazendo exercício físico diário e depois, manter esse peso ideal, continuando a seguir medidas higiénicas alimentares e desportivas. Não é simples fazer tudo isto, mas há que começar e pensar também, que cada um tem o seu trajecto individual. Com a idade a avançar, avança também a perda de massa muscular. O músculo segura os ossos, fortalece e mobiliza as articulações e a sua perda é prejudicial. Há que muscular, com exercícios muito específicos, utilizando o peso ideal para cada caso ... sem pensar em querer entrar nos concursos de “bodybuilding”!

E o resto do corpo? As doenças ou as disfunções que já tivemos e a sua importância! Uma pneumonia, normalmente não deixa “mossa” e cura-se integralmente, mas a tuberculose pulmonar ou as doenças provocadas pelo consumo do tabaco, deixam sequelas e incapacidades para toda vida.

E as vacinas? Há um plano nacional de vacinação, que deve ser meticulosamente cumprido. Mais ainda, nos pacientes crónicos ou aqueles especialmente mais fragilizados. Existe uma nova vacina - para os rapazes a partir dos 10 anos - a HPV ... para a protecção do cancro do colo do útero, e que pode ser transmitido nas relações sexuais. As vacinas são a maneira mais barata e eficaz, de evitar uma doença e até de irradicá-la!

Nesta fase do ano as pessoas recorrem muito assiduamente aos Serviços de Urgência. E tantas vezes são rotuladas e etiquetadas com a pulseira verde, que na prática é uma situação não urgente. Porque acontece tudo isto? Porque as pessoas não conhecem o seu corpo. Não distinguem uma situação urgente de um episódio sintomático e ou passageiro. Na realidade, deveria haver um serviço, que orientasse as pessoas e as corrigisse na avaliação da gravidade ou não das suas queixas. Voltamos a esta conversa, já com barbas! Os Centros de Saúde, onde estão os médicos de Medicina Geral e Familiar, que podem, sabem e deviam, repito, deviam, ser eles a fazer o diagnóstico provisório e depois a dizer em alto e bom som, quem vai para o hospital, para a urgência e quem vai para casa, devidamente medicado. Nada de novo, nada que já não aconteça noutros países. Tudo isto é possível, tem aumento da productividade laboral, tem muita lógica, tem muita poupança para o estado, tem de ser remunerado e, claro está, que terá uma maior qualidade na prestação de serviços de saúde á população. Um diagnóstico pode fazer-se em dois minutos e em dois minutos se decide o que fazer. Uma triagem é obrigatória, mas, os não urgentes, devidamente avaliados e assim considerados, têm de voltar para casa e marcar consulta. E tem de haver hipótese de consultas - se forem técnicamente justificadas.

As pessoas passam um “tempão” no computador, no google, podem informar-se sobre si próprias, sobre a prevenção dos estados patológicos, sobre os riscos de algumas doenças, sobre as doenças mais contagiosas ... um pouco de cultura geral sobre a sua própria saúde. Para não haverem fatalidades, como a que ocorreu com aquela criança, recentemente na capital do país.

Conhecer o nosso corpo é obrigatório e é lógico, porque cada um, sabendo dos seus desiquilíbrios, das suas disfunções e das suas doenças, além de estar a ajudar a si próprio, ainda mais vai ajudar a quem o tem de tratar.

P.S. Ainda não recuperei psicológicamente, daquele acontecimento do comandante da transportadora aérea comercial, que desmaiou no “cockpit” á chegada ao aeroporto da Madeira, resultando no retorno da nave para o aeroporto de origem do voo! Deste caso e do comandante, nada se sabe, se fez exames médicos, se pode transportar pessoas em segurança acima dos 10.000 metros de altitude, se é verdadeiramente saudável, se conhece o seu corpo, se a companhia aérea é confiável, se estamos sujeitos a ter qualquer “sujeitinho” com um “brevet” a nos transportar e conduzir, de cá pra lá ou de lá pra cá...!! Quanto tempo irá durar este mistério?

José Manuel Morna Ramos