Ciclos

14 Jun 2018 / 02:00 H.

Todos sabemos (ou pelo menos devíamos saber) que isto da economia funciona por ciclos, regra que se aplica seja a que indústria for. Nos períodos bons, devemos aproveitar para extrair o máximo de rendimento possível e, tal como a formiga, prover para quando vierem os tempos maus. Que virão!

Isto acontece por melhores que sejamos e a única coisa que conseguimos, quando fazemos o nosso trabalho convenientemente, é amenizar os ditos períodos maus caindo menos do que a maioria, aguentando com outra solidez quando sentimos o barco a abanar com maior violência.

Tendo presente o que penso ser uma fatalidade, gostava de contribuir para quebrar este silêncio ou a aparente necessidade de, mentindo muitas vezes, fazer com que a realidade seja outra que não aquela que verdadeiramente atravessamos.

Atenção que isto nada tem de político! Bem sei que, tal como em relação à criação de emprego, quando estamos bem o mérito é do governo, cujo departamento comercial e de marketing faz um trabalho magnífico de concepção e venda dos produtos e serviços das empresas mas, mesmo assim, temos de deixar de sentir que o nosso trabalho pode ser colocado em causa porque estamos com decréscimos nos rácios anuais da empresa.

A crítica não é, portanto, (só) ao governo, embora estes também gostem muito de entrar no jogo do anúncio das mega ocupações e dos acréscimos percentuais a dois dígitos e essas balelas todas, contrariando o que a realidade dos factos nos obriga a perceber.

Se sentimos a situação a alterar-se, seja positiva, seja negativamente, devemos de imediato ter a capacidade de reagir e, quando percebemos que conjunturalmente esta não é favorável num contexto mais global, seja por que razão for, então pugnemos por reunir as hostes e, em conjunto, tratar de ver como podemos reduzir o ciclo negativo e amenizar as consequências.

Seria muito mais útil do que andarmos a gastar recursos em comunicações para consumo interno, com objectivos bem pouco claros e de utilidade muito duvidosa. Mal comparado, eventualmente, é um bocado como eu de cada vez que me queixo da miséria de caracteres que me concedem; não resolvo nada ...

André Barreto

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