Canalhadas

A excitação e o fulgor eram tantos que deixo à imaginação do leitor o que esses meninos estariam a ver em plena assembleia

24 Jun 2018 / 02:00 H.

Como classificar a atitude dos 3 deputados do PSD que em plena sessão plenária da Assembleia, perante a intervenção de um deputado da sua própria bancada parlamentar, partilharam entre si mensagens/imagens por telemóvel sem qualquer consideração pelo trabalho do colega, nem respeito pela instituição para a qual trabalham? A excitação e o fulgor eram tantos que deixo à imaginação do leitor o que esses meninos estariam a ver em plena assembleia.

Noutras sociedades, esta atitude daria lugar à substituição por outros deputados. Pagamos um rico ordenado a esta gente para fazerem isto? E qual a reação do PSD-Madeira? Pelos vistos, tá-se bem.

A verdade é que todas as palhaçadas que lá ocorrem têm implicações sérias quando estamos a reinvidicar soluções para os nossos problemas. Já somos vistos noutras regiões do país como vivendo à custa do Governo da República e de que somos despesistas.

Maturidade exige-se. E somos nós que temos de exigir aos partidos que tenham mais atenção à lista de deputados que propõem à Assembleia. Que tal colocarem nessas listas pessoas que tenham palmilhado os becos e veredas da nossa terra? Que falam na rua com as pessoas e a quem as pessoas se dirijem para falarem dos seus problemas? Que se envolvam verdadeiramente na resolução dos problemas das pessoas?

Quantos já se aperceberam que a nossa sociedade está doente? Continua a aumentar o consumo de ansiolíticos e antidepressivos. Porque muitos estão doentes? Não será consequência dos problemas que têm de enfrentar? Há quanto tempo empurramos os problemas com a barriga?

Já não havia problemas que chegasse e ainda há quem perca o seu tempo em perseguições e maledicências para destruirem as vidas de algumas pessoas.

Não é em “operações de charme” de convite dos trabalhadores da função pública para beberetes na Quinta Vigia que vão apagar todo o mal que fizeram/fazem. Eu também fui agraciada com um convite ao qual recusei estar presente por não compactuar com a maldade e hipocrisia existente. Como poderia eu estar num evento com pessoas que dão instruções para prejudicarem bons trabalhadores nas suas carreiras profissionais? Que mandaram instruir processos disciplinares simplesmente por diferenças de opinião? Que se deram à maçada de usar o seu tempo para destruirem politicamente alguns bons elementos do seu próprio partido? Que até espumam raiva quando os vêem passar? Como estar num alegre convívio enquando outros atravessam as passas do Algarve? Como estar num evento que visa única e exclusivamente a compra de votos para as próximas eleições? Para isto há dinheiro? Sabiam que a compra de votos é ilícita e era uma prática comum na Velha República? Afinal, evoluímos ou regredimos? Como posso eu saber da nossa situação financeira e estar presente num evento que contribui para uma despesa completamente desnecessária? Isto me faz lembrar os ricos que se tornam pobres, que precisam fazer contenções para travar gastos, mas simplesmente não conseguem deixar de beber champanhe todos os dias...

Contrastando com todo este esbanjamento, o Governo Regional necessitou contrair um novo empréstimo com o consórcio formado pelo BPI, BCP, Santander Totta e pela Caixa Geral de Depósitos, no montante de 455 milhões de euros para simplesmente pagar outros empréstimos da Região e das suas empresas públicas. Ver JORAM, I.ª Série, 15 de junho.

Para contrairmos este empréstimo, o Governo da República teve de dar o seu aval. E se tivesse feito birra? Teriam os trabalhadores da função pública direito ao seu ordenado e subsídio de férias este mês de Junho? Não estará na hora de estabelecermos outro tipo de diálogo com o Governo da República? É melhor engolir o orgulho e governar o restinho deste mandato a bem da Madeira.

E o que dizer dos últimos comunicados do Governo a dar-nos conta que tínhamos mais emprego e que a economia estava a recuperar? Se calhar, perdeu-se informação pelos inúmeros conselheiros e assessores.

Pedimos dinheiro para pagar empréstimos porque não temos dinheiro e as obras anunciadas serão pagas como?

Deixem-se de frivolidades. A nossa sociedade está doente. Muitos dos nossos problemas são reflexos da governação que não nos está a dar respostas e provoca-nos sofrimento e, consequentemente, doenças. E o que vamos fazer quanto a isto, caro leitor?

Fátima Ascensão