Acompanhamento Filosófico - Útil ao CDS-PP Madeira?

11 Nov 2019 / 02:00 H.

Deve-se a Lou Marinoff (1952-....), autor do livro “Mais Platão, Menos Prozac”, obra editada no ano de 2000 e de grande sucesso numa parte do mundo literário filosófico, o incremento do chamado Aconselhamento Filosófico (AF), ramo da filosofia que já havia tido início na década de 80 do século passado, na Alemanha, através Gerd Achenbach. Poderíamos recuar muito mais, e ir à conceção epicurista de filosofia como “terapia da alma”, ou aos Estóicos, que defendiam que a filosofia se tratava de uma ciência que ensinaria a arte de viver bem. O AF está hoje espalhado na Europa, incluindo Portugal (APAEF), nos EUA, Canadá, no Brasil, em Israel e operacionaliza-se em consultas, onde o indivíduo discorre livremente sobre a sua vida, realçando obstáculos e interesses, levando o profissional do AF a analisar o discurso e confrontá-lo com as lições de grandes pensadores ocidentais e/ou orientais no domínio filosófico, desde Sócrates, Platão ou Aristóteles, ou Sidarta Gautama e/ou Confúcio, até aos mais atuais. Foram vários os filósofos que se ocuparam de questões sobre ética, virtudes e vícios do ser humano. O excesso de expectativas em relação à felicidade (sucesso e poder?) e ao amor (romantizado?) está na origem de muitas crises de depressão e ansiedade que hoje se conhecem. Procura-se pensar o sentido da vida e o efeito do sofrimento na existência, de modo a alcançar uma maior compreensão da situação. A metodologia consiste em identificar o obstáculo, expressar emoções de forma construtiva, analisar opções, refletir filosoficamente de modo a ajudar a pessoa a viver com a melhor opção e por fim, recuperar o equilíbrio pessoal. O AF não pretende substituir a psicologia ou a psiquiatria, e parte do princípio que o sofrimento nem sempre tem origem num desequilíbrio mental, não trabalhando com os meandros do aparelho psíquico, nem com sintomas do domínio clínico, mas antes, produzindo análises sobre ideias, conceitos, argumentos e problemas linguisticamente formulados. Propõe-se assim ajudar pessoas sãs, cujos problemas tenham origem em questionamentos filosóficos, constituindo-se como uma via para que as pessoas possam encontrar por si mesmas, por via da reflexão filosófica, um sentido para as suas vidas. Interrogação pertinente e atual é: Será o AF, esta “inovadora terapia”, útil ao CDS-PP Madeira? É que após 43 anos a combater politicamente o PSD Madeira, conjuntamente com os restantes partidos da oposição, levando e dando “tareia”, e ter sido um dos maiores perdedores nas últimas eleições legislativas regionais, eis que se verga por duas secretarias regionais pouco influentes, a presidência da ALRAM e um lugarzinho aqui e ali. Sem desprimor pelos envolvidos, a pasta da Economia, numa região pequena como a RAM é algo que é um pouco exótico, pois dada a exiguidade da região, de certo modo todas as secretarias, de uma forma ou de outra, são da Economia, sendo matéria mais adequada para coordenação numa Vice-Presidência. Já a do Mar e Pescas, onde as importantes linhas marítimas, ferry para o Porto Santo e ferry para o Continente ficam de fora e os assuntos das pescas são principalmente regulados pela União Europeia, pouca interferência terá. Quanto à presidência da ALRAM, sendo embora um lugar importante do ponto de vista institucional, até com algumas prerrogativas de grande relevância, no dia-a-dia, não passa, principalmente, de uma atividade onde um maestro dirige uma orquestra, onde a audiência é invariavelmente diminuta ou mesmo nula. Os lugarzinhos nem merecem comentário. Estaremos então em presença de uma atitude ilusória, que “apenas” visa atenuar o sofrimento por via do alcance imediato do poder? Poderemos estar porventura, em face de um problema filosófico existencial, em que o AF poderia constituir-se como uma metodologia, de modo a refletir quanto a ter sido ou não uma boa decisão, em relação ao futuro.

Fernando Rodrigues
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