A ESGRIMA na Madeira: os desafios e o contributo para o Desporto Regional

20 Out 2019 / 02:00 H.

A nova época desportiva de ESGRIMA já arrancou com a Super Taça La Vie, um evento de sucesso que juntou as forças vivas da nossa modalidade, desde os atletas aos que nos apoiam e patrocinam, sejam entidades públicas ou privadas. Por isso, é altura de fazer um balanço e perspectivar o que fazer no quadro das nossas competências associativas.

Quando esta Direcção tomou posse detectámos situações que podem abalar a continuidade da Esgrima na Madeira. Um dos principais desafios passa por encontrar as condições para a prática de ESGRIMA nas salas de Armas da Madeira, designadamente no Funchal e Santana, porque ainda não oferecem a qualidade desejada, tanto ao nível da Infraestruturas como dos espaços úteis para receber adeptos e familiares dos atletas. A sala de Armas de Ponta Delgada é um salão de dimensões reduzidas, sem qualquer possibilidade de caber uma pista regulamentar.

Face a esta situação, como mandam os deveres de urbanidade, foram feitos os devidos alertas às entidades competentes e os pedidos para encontrarmos melhores condições para a prática desportiva, salvaguardando o mais elementar ambiente para a saúde e segurança dos atletas.

Temos a concordância das entidades governamentais e o compromisso de gente séria de que as salas seriam intervencionadas O que já começou a acontecer com a Sala do Funchal numa confluência de esforços entre a SREI e a SRE (através da DRJD).

Quando estiver pronta queremos dar-lhe o nome de Sala de Armas Sebastião Herédia, honrando o legado ilustre e histórico deste atleta olímpico.

Serve esta introdução (de certa forma) apocalíptica do estado das salas de Armas para dizer que mesmo nestas condições de infraestruturas deficientes, com material para a prática de ESGRIMA com muitos anos nas costas, a modalidade na Região tem registado grandes sucessos.

Em resumo: temos uma subida consistente do número de atletas federados, acompanhada pelo número de clubes; o registo do número de participantes por prova é de 95%; a época de 18/19 voltou a registar bons resultados nas provas nacionais, dando continuidade ao ano anterior; os esgrimistas conseguiram 27 participações nos quadros finalistas de 8; e 16 medalhas ao todo, em vários escalões, masculinos e femininos, e por equipas.

No campo social e formativo, a nível das actividades desenvolvidas com o Programa Esgrima + e no Desporto Escolar, aumentamos o número de presenças nas escolas e o número de alunos que foram alcançados. Tal não seria possível sem o apoio a tempo inteiro de um professor destacado para a AERAM.

Ao longo da época levamos as provas de ESGRIMA a várias localidades da ilha.

Tudo isto é parte do Desporto da Madeira. É apoiado por entidades públicas e, nesse sentido, temos de trabalhar para valorizar o dinheiro do contribuinte. Nesta associação, cada cêntimo que vem do Orçamento Regional ou das Câmaras Municipais que nos apoiam terá de ser valorizado. Ao fazê-lo com qualidade estamos a formar jovens e cidadãos de futuro.

O sucesso dos projectos que queremos concretizar só irá depender de nós. Temos de provar porque desportos como o nosso precisam de ser mais valorizados.

Para além da qualidade das salas de Armas e do material há outras questões de grande monta por resolver. Precisamos de formar treinadores e temos vindo a colaborar com afinco com a Federação Portuguesa de Esgrima para o efeito... Há custos de contexto que iremos vencer... Precisamos de um espaço para treino contínuo dos atletas, um centro para melhorar o seu rendimento desportivos e pessoal. Depender das agendas das escolas e dos pavilhões é uma barreira estrutural.

Como tal o papel de quem define a política do Desporto não nos é alheio. No global é francamente positiva. A evolução que poderá ser feita, na essência, será no plano das perspectivas e estratégias. Se não nos rendermos ao “umbiguismo”, continuaremos a ser uma das regiões do País, senão a única, a ter uma estratégia pública séria e estruturada para a formação desportiva.

Da parte da AERAM, o nosso compromisso com o desenvolvimento do desporto na Madeira é total.

Marco P. Freitas