A educação que queremos

17 Abr 2019 / 02:00 H.

A aposta no sector educativo é a condição para o desenvolvimento sócio económico de qualquer Estado, independentemente da sua religião, cultura, ou governação política! Não há evolução sem educação! Pode até existir algum desenvolvimento económico em certos países, sobretudo, infra estrutural, mas se uma grande parte do povo não tiver acesso à educação, esse Estado não evolui civilizacionalmente! No nosso país, os sucessivos governos não fizeram uma aposta correcta no sector da educação, tendo em conta um cada vez maior desenvolvimento social e económico, pois passadas estas décadas desde o 25 de Abril, não se dotaram as populações de instrumentos essenciais, por via de melhores habilitações, que lhes permitissem aceder ao mercado de trabalho e auferissem vencimentos condizentes com o esforço financeiro que as famílias disponibilizaram na formação dos seus filhos! Infelizmente, ao longo destes quase 45 anos de democracia, as sucessivas governações dependeram mais de fatores ideológicos, com os prejuízos para as comunidades educativas, em vez de se pensar no desenvolvimento social de Portugal, perdendo-se uma oportunidade única, para nos convertermos num país que pudesse ser exemplar no sector educativo! Continuamos a ter dos piores índices de abandono escolar precoce da Europa; assistimos anualmente ao desprestígio inaudito da classe docente em Portugal; as habilitações dos portugueses continuam a ser muito baixas comparadas com a média da União Europeia; as políticas para a educação dependem de um qualquer ministro das finanças e não de uma visão estratégica futura! Assistimos, atualmente, no nosso país, à maior clivagem de sempre entre o Estado e a comunidade educativa! Professores desvalorizados pelo Governo actual, alunos sem perspectivas sobre o que efetivamente devem estudar, tendo em conta o mercado de trabalho; famílias ansiosas sobre o futuro dos seus filhos, enfim, não há um qualquer pensamento no ministério da Educação sobre o presente e muito menos sobre o futuro! Um verdadeiro caos! A Regionalização do sector educativo trouxe benefícios para as duas regiões autónomas portuguesas! Infelizmente, nem sempre se tomaram as melhores opções em termos de implementação das medidas adequadas, tendo em conta o desenvolvimento das nossas populações, pois se a estratégia para a Educação tivesse sido a melhor, nesta altura, após quase 43 anos de autonomia, a Madeira não se envergonharia das taxas de abandono escolar precoce nem das fracas qualificações de quase metade da população ativa! A nossa classe docente não pode continuar a ser desmotivada, pois embora a contagem integral do tempo de serviço congelado seja uma medida totalmente justa, não nos podemos esquecer que, na classe docente regional, existe um cansaço latente, por via do prolongamento da idade de reforma, provocando um desgaste objetivo numa grande parte de docentes regionais que podiam perfeitamente estar a lecionar menos horas, sendo aproveitados para outras atividades dentro das escolas! Nós defendemos que a partir dos 60 anos e até à sua reforma, todos os docentes devem ter uma redução muito acentuada na sua componente letiva, podendo realizar outras atividades em prol da comunidade educativa, nomeadamente ações de voluntariado entre outras! Atualmente, existe na classe docente um berbicacho que as autoridades regionais não querem resolver e que, provavelmente, só o próximo governo irá solucionar! Prende-se com o facto de existirem quase 2000 docentes que estão a ser ultrapassados nas suas carreiras, por outros, com muitos menos anos de serviço! Isto não abona em nada em prol da motivação da classe docente! Não podem ser os factores economicistas, só por si, a determinar se e quando serão resolvidos os múltiplos problemas com que se confronta o sector educativo na Região! Entre uma via rápida que custa dezenas de milhões e o investimento nos sectores da educação, saúde, cultura etc., nós optaremos sempre por estes em detrimento da tal via rápida! Enquanto políticos, no CDS, olharemos sempre para os sectores sociais como as prioridades das prioridades! Não contem connosco para retirar verbas da saúde e da educação para fazer mais túneis e vias rápidas! Enquanto houver uma criança sem saúde, um jovem sem a escolaridade obrigatória, seja no ensino curricular normal, ou no profissional, não vacilaremos e colocaremos de lado obras públicas de duvidosa utilidade social!

António Lopes da Fonseca