Fátima, futebol e fado

14 Out 2009 / 20:54 H.

Em tempos idos e de má memória, Portugal foi o país dos três F's. Era Fátima, Futebol e Fado. Às vezes, somos levados a acreditar que esse tempo ficou lá atrás. Mas é só às vezes. Quando se olha de perto para o país vemos que o povo continua a ser anestesiado pelas mesmas coisas e com a mesma eficácia.
Agora que terminaram as eleições, Portugal 'mergulhou' de novo no entorpecimento de sempre. No velho e bolorento lugar comum de um fado que se mantém inalterado, de Fátima que é o único bálsamo para os males quotidianos, do futebol que garante a ilusão efémera de sermos grandes.
Enquanto isso, o país esquece-se de si próprio, preso à triste sina de ser quem é. Talvez seja altura de aplicar aos três F's os três R's. Reduzir Fátima, não naquilo que ela representa de fé popular, mas de forma a que o povo não se esqueça de pedir milagres não só à Virgem, mas a quem pode e deve realmente fazer a diferença. Reciclar o triste fado do fatalismo que impede a acção, e, quem sabe, reutilizar o futebol para aquilo que é: um desporto e não uma forma de fazer esquecer e de disfarçar males maiores.Crónica - Raquel Gonçalves

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