A assinatura do presidente

25 Out 2012 / 03:25 H.

Se fosse possível, o presidente do Governo Regional da Madeira teria fugido à assinatura de tudo o que lhe pudesse representar responsabilidades futuras. Foi assim com todos os Executivos que presidiu; em actos simples ou mais sofisticados; com a casa do povo ou com o clube a quem prometeu mundos e fundos.
Nas obras, nas milhentas obras do seu regime, Jardim refugiou-se sempre nas formalidades e foi escapando aos imbróglios, sejam os que estão resolvidos, sejam os que ainda estão por aí pregados no tecto. Com muitos milhões a arder.
Com estas espertezas, tudo corre bem até um dia. Mais precisamente até ao dia que algum impaciente recorre aos mesmos expedientes que Jardim utilizou pontualmente, para dar golpes finais. Quem não se lembra dos episódios em que, violando a confiança que lhe depositaram, Jardim revelou cartões confidenciais, cartas pessoais e documentos privados, apenas porque era chegada a hora de achincalhar um colaborador qualquer?
O empresário António Lopes, homem de confiança do regime durante os longos anos de ‘vacas gordas’, sabia ao que se expunha quando reclamou o pagamento da obra apressada que Jardim lhe encomendou para o ano 2000. Logo o presidente, que não põe assinatura em nada.
É óbvio que a resposta ‘educadíssima’ não tardou, com todas as insinuações habituais, incluindo a descoberta que António Lopes era comunista. E quem assina o esclarecimento? Obviamente um figurante qualquer, daqueles que aceitaram esse papel toda a vida. Coitados. Até no JM saem notícias do seu punho, que outros aceitam assinar explícita ou implicitamente.
Por causa de 11 milhões de euros – é mesmo muita ‘massa’ – o antigo construtor do regime “pôs a boca no trombone”, depois de uma década a deambular de gabinete para gabinete. A obra foi-lhe atribuída pelo “engenheiro” Jardim, com prazos e tudo, como só ele sabe determinar. O pagamento logo se veria, o que interessava era a inauguração e o povo contente.
Se pudesse, Jardim também teria marcado uma reunião importante em Bruxelas, em Estrasburgo ou na Lapónia, na última semana de Janeiro deste ano. Assim evitaria ter que assinar aquele documento histórico, um tal de PAEF, que o vai perpetuar como o Presidente, o Único. Como ele gosta. O ideal teria sido delegar a assinatura noutro membro do governo, mas em Lisboa não estavam a dormir...
A outro nível, quem não se lembra de Jardim chamar a si qualquer questiúncula dos clubes, fosse ele o Curral das Freiras ou o CD Nacional ou a UD Santana. O chefe raramente deixava um aniversário de clubes por mãos alheias. Hoje, Jardim parece que já não conhece nenhum clube, muito menos as suas lamúrias. Para essas tarefas ‘promoveu’ o atónito Jaime Freitas. Noutros tempos também havia secretários de Educação, mas como se tratava de louros...
Por essas e por outras, vai ser muito giro sempre que, daqui para a frente, surjam mais pessoas e instituições a alegarem a ‘palavra do sr. Presidente’ para reclamar os seus direitos, quando o coitado nem uma assinatura apôs. Excluindo, claro, aquela assinatura no dia 27 de Janeiro, em que Jardim se compromete a pagar as suas aventuras, com o nosso dinheiro.

Agostinho Silva
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