As férias 'low cost' dos nossos governantes

Umas fÉrias no Porto Santo e só gastar dez euros por dia, é de uma austeridade superior e capaz de levar a troika às lágrimas

21 Ago 2012 / 02:00 H.

Este bom povo é decididamente pacífico. Para além do futebol capaz de acender paixões que já chamuscaram a arrogância de alguns populistas "poderosos", convivemos com enorme tolerância com a total falta de pudor que permite a essas "poderosas" criaturas, dizer hoje uma coisa, amanhã afirmarem o contrário e depois de amanhã imporem o que sempre negaram.

À mais descarada e ordinária mentira, chamam agora "ajustamento à realidade". Aos cortes nos ordenados e proteção social chamam hoje "ajustamento à economia real". A proteção pornográfica de acumulação de reformas para alguns são " direitos adquiridos", mas para os outros, os "pés rapados", a troika pode rasgar ao pequeno almoço esses direitos adquiridos. O despedimento fácil é agora "agente de competitividade empresarial" e o desemprego é "uma oportunidade para a criatividade". A vergonha do caso Relvas é um "expediente inteligente e no limite da legalidade" enquanto o chumbo do filho da Senhora Aldina, minha simpática porteira, é "mais uma herança da falta de rigor dos professores que no tempo de Sócrates, deixavam passar toda a gente". Quando tudo corre mal e tudo fica na mesma, dizem que " já foi nomeada uma comissão e estamos atentos". Entretanto a fatura da eletricidade sobe cada vez mais, porque felizmente " o Dr. Mexia tem consciência ecológica e aposta nas renováveis".

No meio de tanto disparate, ainda vamos ouvir dizer a um qualquer "Mira Amaral", que é necessário apertarmos mais o cinto pois há que fazer "ajustamentos ao modelo de cooperação com Angola" enquanto um qualquer "Pina Moura" em dueto com uma qualquer "Zita Seabra", vem explicar aos tontos, que o preço da gasolina está sempre a subir, porque o malvado do Kadafi, antes de morrer, escondeu todo o petróleo naquele esconderijo onde estão as armas químicas. 

Mas neste País mais à beira da loucura do que da falência, há sinais que acendem a lamparina de azeite ao fundo do túnel.

Numa atitude única e sem antecedentes, os nossos governantes máximos, decidiram mostrar ao povo, à troika, à Senhora Merkel e ao Prof. Medina Carreira, que até estão a curtir este clima de austeridade e querem dar o exemplo.

Foi assim que num gesto de grande simbolismo, o Primeiro-ministro foi passar férias à Manta Rota. É evidente, que pelo facto de a Manta estar toda Rota, tudo lá é muito mais barato. Consta que o estratega deste marketing brilhante ….. terá sido o ministro Relvas.

Mas o Presidente da Republica, para não lhe ficar atrás, passou férias numa modesta moradia que lhe terá saído num sorteio do BPN, no tempo em que um ex-secretário de seu governo, tirava as bolas com os prémios e o Dr. Dias Loureiro segurava o saco.

Mas devo dizer, por mais que custe ao DN e à oposição regional, que o mais superior exemplo de férias em austeridade, há muito que é dado pelo Governo desta Região.

Aqueles que só falam do nosso buraco financeiro e que nos acusam de gastarmos o que não temos, esquecem miseravelmente que o nosso Presidente até há pouco tempo, só gastava cinco euros por dia e mais recentemente, com a inflação, subiu dramaticamente para dez euros.

Umas ferias no Porto Santo e só gastar dez euros por dia, é de uma austeridade superior e capaz de levar a troika às lágrimas, perante este despojamento franciscano. E como se tal não bastasse, ainda aceitou, apesar de estar a gozar férias, abrilhantar com a sua presença o já chamado "arrastão do Porto Santo" que diariamente percorre avassalador, a praia de finas areias e mar quente.  

E mais, para não gastar setenta cêntimos a comprar o DN, só lê um jornal que é distribuído gratuitamente e pelo qual, não lhe sai um só cêntimo do seu bolso.
 

Manuel Brito - Médico

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