Mitos: vingam os que nos destroem...

02 Fev 2012 / 03:00 H.

Muito por causa do impacto dos media são facilmente convencionados mitos de difícil rebate. Cirurgicamente adubados, encontram na sociedade portuguesa terreno fértil para crescer.
Um dos que me irrita solenemente é a argumentação de que nós, portugueses e madeirenses, não seremos capazes de vencer a crise porque somos um povo de trabalhadores sem rigor e sem empenho ou de empresários sem capacidades. A ideia está disseminada e, a meu ver, funciona como um colete de forças que bloqueia as "janelas de oportunidade" que surgem.
Se somos assim tão dados ao fracasso pergunto: de que gema nasceram as grandes empresas da praça nacional? De que semente germina o espírito inovador dos novos projectos empresariais?
A meu ver, a problemática tende a ser de interpretação e não de conteúdo. Por isso, falta comunicação e oportunidade mediática para os bons exemplos.
O enfoque tem de mudar. Nos curtos limites do meu raio de influência, o que eu posso testemunhar é que foi há mais de 20 anos, quando trabalhava numa empresa de pintura para garantir subsistência e os estudos, que aprendi que até a função menos visível contabiliza para o sucesso ou fracasso de um projecto.
Depois de ter falhado a tarefa de dar a primeira demão dos tectos manchando tudo à volta, de ter hipotecado o prazo de entrega da obra, de ter gasto tinta a mais, a lição foi uma segunda oportunidade para limpar o custo do erro, sem salário. Ao terminar esta experiência laboral foi-me oferecida uma carta de recomendação para ajudante de pintor. Ainda me pergunto porque declinei? Tinha merecido.
Isto para concluir que nos falta valorizar a atitude que rompe os cânones vigentes. Sendo Portugal uma nação historicamente habilitada para grandes feitos porque impomos limites à demanda?... Assim, perdoem-me a descrença, a mudança nunca acontecerá.

Marco Paulo Freitas, Consultor de Comunicação

Outras Notícias