Pela fé e pela dor

13 Jan 2012 / 03:00 H.

A passagem do ano ficou marcada por um facto insólito. A Madeira registou muitos mais turistas a bordo dos navios que nos visitaram do que os hospedados em terra. Não se trata de um mera coincidência ou  de um simples facto com notoriedade jornalística. Esta circunstância tem muito significado e deve merecer um reflexão profunda, séria e muito abrangente.

Algo vai muito mal quando a oferta regional vê-se forçada a disponibilizar 4 noites pelo preço de três naquele que foi o seu melhor e maior cartaz turístico, colocando-se numa posição muito frágil para um futuro que não se apresenta promissor.
Pior ficamos quando nos deparamos com comportamentos do mercado nacional (também em crise e a grande aposta para a recuperação da nossa actividade turística ...) de grande hostilidade à Madeira, recusando-se cá vir, em profunda contradição com a atitude que constituiu um verdadeiro "capital de simpatia", sem qualquer precedente, espontaneamente motivado logo após o 20 de Fevereiro mas que, invariavelmente, se esfumou com a mesma velocidade com que as águas de então passaram pelas ribeiras.

Este é o trajecto característico da opção pela dor,  pela eterna necessidade de reacção, a escolha por uma via que não permite liderança, não liberta espaço de criação, vai a reboque de tudo o resto, sem esperança. É a navegação à vista em regime continuado, é a incapacidade de inverter uma tendência perigosamente experimentada e que coloca o sector para além do limiar da sobrevivência.
Ao contrário, a opção pela fé, baseada no acreditar, assente numa visão clara, assumindo liderança, antecipando leituras, trilhando o seu próprio caminho, incorporando, humildemente, as mensagens que são deixadas, permite outros resultados. Foi este o caminho seguido pela actividade dos cruzeiros.
O trabalho desenvolvidos há alguns anos tem dado os seus frutos. Um trabalho concretizado por um enquadramento económico de longo prazo, com grandes, claras e inequívocas opções. Sem hesitações e com grande visão estratégica! Uma contribuição que merece uma referência, de capacidade, aos seus responsáveis, Dr. José Agostinho Pereira de Gouveia e Dr. João Reis e a quem, com a mesma perspectiva, tem dado continuidade.
A Madeira tem destas coisas, num mesmo sector (o mais importante da nossa economia), duas opções com resultados bem visíveis que demonstram, muito bem, o porque de serem diferentes.
Apenas duas notas finais. 1. As Canárias optaram por uma única via e vivem sem dor; 2. Peggy Bendel, criadora da marca I love NY, prendou-nos, no Funchal, em 2008, com uma recomendação que tem valido ouro para tantos destinos turísticos... Naturalmente, quando aplicada!

Eduardo Jesus, Economista

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