O Orçamento, o ruído mediático... e a dívida eterna

02 Nov 2010 / 02:00 H.

 Segundo a Marktest, a discussão sobre o Orçamento de Estado (OE) e a crise do País esteve em destaque nas televisões entre 11 e 24 de Outubro. Foram registadas 458 notícias durante 16 horas e meia de emissão. 

Contudo, o debate tornou-se ruidoso, camuflando quem preferiu ignorar que houve uma leitura errada dos efeitos da crise mundial, secundada por soluções frágeis, lideranças erráticas e fracas, as mesmas que desde o início da crise ainda se evidenciam como "os salvadores da pátria". Os que defendiam a queda do sistema e a construção de um novo modelo, mais correcto, limpo e controlável, foram ignorados. Porém, manter o edifício financeiro e económico sobre os escombros de uma crise por resolver só poderia degenerar no actual estado de coisas. 

Em Portugal, para além da influência externa, há o problema da despesa pública sem fundo. A maior derrapagem orçamental dos últimos 30 anos foi confirmada pelo Eurostat (Défice em 2009: 9,3% do PIB). Há dúvidas quanto à solução? Paradoxalmente, sim!... Vamos ter, ou não, um OE que protege os fazedores de dívida, ataca quem produz riqueza e não estrangula os excessos? O que vai acontecer às 267 mil PME's com a subida do IVA e com o corte nos salários? Que consumo vai manter as milhares de pessoas que trabalham nestas e noutras empresas? 

Permitam-me a ironia: obrigar as empresas públicas a cortar 15% nos custos operacionais é quase que dizer: "este ano não há um topo de gama para a Direcção". E o resto?... A fazer fé no e-mail que anda a circular na Internet, "a dívida portuguesa não é externa é eterna"!

 

Marco Freitas, Consultor de Comunicação