Um olhar chinês sobre a Europa

Quase tudo o que se consome, com excepção da alimentação e bebidas, é hoje 'made in China'

11 Jul 2010 / 02:00 H.

A China é hoje a fábrica do mundo. Quase tudo o que se consome, com excepção da alimentação e bebidas, é hoje 'made in China'.

Pensou-se, em tempos, que a Europa e o mundo ocidental teriam uma saída sólida face à progressão chinesa nos mercados mundiais. Essa saída consistiria em produzir cada vez mais produtos de maior valor acrescentado e maior sofisticação tecnológica. A China apropriar-se-ia dos têxteis, do calçado, dos brinquedos, dos plásticos…  A Europa continuaria a exportar electrónica, tecnologias de informação e comunicação, aeronáutica espacial, serviços avançados...

Esse era o modelo dos economistas da minha geração. Hoje sabemos que pensámos de forma excessivamente linear e simplificada. A China avançou para todos os sectores sem excepção e concorre com o mundo ocidental. Os desequilíbrios instalaram-se e são preocupantes... para não dizer intransponíveis.

Insucesso para o paradigma em que pensaram os economistas e políticos ocidentais. Sucesso para a China.

Face às dificuldades estruturais desta globalização desequilibrada, vale a pena transcrever aqui excertos de uma entrevista de um professor chinês de economia (que corre no You Tube). Sobre a Europa, o Prof. Kuing Yaman - que viveu em França - faz as seguintes asserções:

1. A sociedade europeia está em vias de se auto-destruir. O seu modelo social é muito exigente em meios financeiros. Mas, ao mesmo tempo, os europeus não querem trabalhar. Só três coisas lhes interessam: lazer/entretenimento, ecologia e futebol na TV! Vivem, portanto, bem acima dos seus meios. Porque é preciso pagar estes sonhos de miúdos...

2. Os seus industriais deslocalizam-se porque não estão disponíveis para suportar o custo de trabalho na Europa, os seus impostos e taxas para financiar a sua assistência generalizada.

3. Portanto endividam-se, vivem a crédito. Mas os seus filhos não poderão pagar 'a conta'.

4. Os europeus destruíram, assim, a sua qualidade de vida empobrecendo. Votam orçamentos sempre deficitários. Estão asfixiados pela dívida e não poderão honrá-la.

5. Mas, para além de se endividar, têm outro vício: os seus governos 'sangram' os contribuintes. A Europa detém o recorde mundial da pressão fiscal. É um verdadeiro 'inferno fiscal' para aqueles que criam riqueza.

6. Não compreenderam que não se produz riqueza dividindo e partilhando mas sim trabalhando. Porque quanto mais se reparte esta riqueza limitada menos há para cada um. Aqueles que produzem e criam empregos são punidos por impostos e taxas e aqueles que não trabalham são encorajados por ajudas. É uma inversão de valores.

7. Portanto o seu sistema é perverso e vai implodir por esgotamento e sufocação.  A deslocalização da sua capacidade produtiva provoca o abaixamento do seu nível de vida e o aumento do... da China!

8. Dentro de uma ou duas gerações 'nós' (os chineses) iremos ultrapassá-los. Eles tornar-se-ão os nossos pobres. Dar-lhes-emos sacas de arroz...

9. Existe um outro cancro na Europa: existem funcionários a mais, um emprego em cada cinco. Estes funcionários são sedentos de dinheiro público, são de uma grande ineficácia, querem trabalhar o menos possível e apesar das inúmeras vantagens e direitos sociais, estão muitas vezes em greve. Mas os decisores acham que vale mais um funcionário ineficaz do que um desempregado...

10. Vão (os europeus) direitos a um muro e a alta velocidade...

É um ponto de vista. Controverso. Provocador. E pouco importa se subscrevo ou não, integral ou parcialmente, as teses expostas. O leitor que tire as suas próprias conclusões. E valide ou não o que pensa "o venerável professor chinês".




 

Maximiano Martins