Factos e argumentos

O leitor que retire as conclusões devidas. Contra factos não há argumentos

11 Nov 2018 / 02:00 H.

1 As obras de remodelação do bloco operatório do Serviço de Obstetrícia do Hospital Dr. Nélio Mendonça foram inauguradas, com pompa e circunstância, na terça-feira passada, na presença do presidente do Governo, de secretários regionais, médicos e demais convidados. Tudo certo. O GR deve publicitar a sua obra, que é de todos, especialmente a que vai ser determinante no quotidiano das pessoas e, sobretudo das que estão mais vulneráveis, como é o caso dos doentes. Apesar da ansiedade generalizada colocada em redor do projecto do novo hospital há que cuidar das condições em que o ‘velho’ opera. Nada a opor. A empreitada do bloco mais a da central de gases medicinais orçaram em 1,2 milhões de euros. Miguel Albuquerque aproveitou a presença da comunicação social para reafirmar que o investimento vai continuar, com a remodelação e requalificação de toda a unidade do bloco operatório e das Urgências.

O que o presidente não disse, ou porque não foi devidamente informado, o que é grave, ou sabia e não o fez propositadamente, o que ainda é mais grave, é que o famigerado bloco operatório da obstetrícia não estava em condições para começar a laborar, o que se depreende que aconteça quando alguma estrutura é inaugurada.

O bloco mantém-se encerrado porque falta material. Não serve, por isso, o propósito para o qual foi intervencionado e inaugurado. O que assistimos na passada terça-feira não passou de uma encenação e de um triste espectáculo para ‘inglês ver’. Dispensável.

2 Jornal Oficial da Região de 6 de Novembro. É publicado o aviso n.º 291/18, que prevê a ‘Abertura de procedimento concursal para preenchimento do cargo de direcção intermédia de 1.º grau – Director de Serviços do Centro das Comunidades Madeirenses e Migrações’, que está na tutela do secretário Regional de Educação, Jorge Carvalho.

As organizações precisam de dirigentes. Nada a apontar. Contudo, este aviso é, de todo, peculiar, como veremos, mas não inédito no modus faciendi da administração pública, num dos seus vícios mais deploráveis. Vejamos. Como requisitos legais de provimento ao lugar, o anúncio pede um candidato(a) que possua uma licenciatura em Filosofia, ser trabalhador em funções públicas, contratado ou nomeado por tempo indeterminado e deter seis anos de experiência profissional em funções, cargos, carreiras ou categorias para cujo exercício seja exigível uma licenciatura. O aviso explica, depois, como se vai desenvolver todo o processo, bem como a composição do júri para avaliar os candidatos ao apetecível cargo.

Facto: o actual responsável do Centro das Comunidades é licenciado em Filosofia, preenche os restantes requisitos e não está seguro no cargo, a um ano de eleições. É necessário um vínculo à função pública para que isso aconteça. ‘Fato à medida’, como diz a oposição? O leitor que retire as conclusões devidas. Contra factos não há argumentos.

Roberto Ferreira
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