2019, ano de ‘geringonça’ na Madeira?

30 Dez 2018 / 02:00 H.

Passado o atestado de óbito oficial à austeridade que quase nos levou os ossos, ela ainda se faz sentir, e de que forma, na carga fiscal imposta nos tempos da crise, apesar de algumas operações de cosmética perpetradas, com maior intensidade, em ano pré-eleitoral. Ainda aqui vamos. O cidadão continua a pagar, sem pestanejar, mesmo que não saiba bem para que servem tantos impostos e para onde vão. Basta aferir a qualidade e a eficiência de grande parte dos serviços públicos, para começar a arrepiar-se. O retorno do esforço despendido continua a ser penosamente insuficiente. O que o Estado nos leva, empobrecendo-nos, não é compensado no que nos dá em troca. Tem sido sempre assim, apesar de uma melhoria aqui e ali, para eleitor ver.

Não é preciso pensar muito para darmos uma mão cheia de maus exemplos. A dívida do país ao Fundo Monetário Internacional está paga (?), o défice muito bem controlado, mas...o desemprego, a saúde, a pobreza, a desigualdade social. E o défice, que nos persegue e atormenta, não é só orçamental, mas também social. Num país onde se grita mais pelo animal que vive na rua do que pelo vizinho que passa por grandes dificuldades durante o ano inteiro, muito há a fazer. Num país onde muitos políticos se regem por princípios oportunistas e pela falta de ética, muito há para mudar. A moral (que palavrão!) política de nível zero continua a poluir a nossa sociedade, como é fácil de comprovar, lendo as notícias publicadas no DIÁRIO durante o debate parlamentar do Orçamento da Região, na segunda semana deste mês. Um dos problemas basilares é a existência, em todos os partidos, de políticos profissionais que não têm um plano b para assegurar o salário no fim do mês.

Um novo ano vai começar depois de amanhã. Que país queremos para 2019? E que Madeira ambicionamos? O eterno país dos salários baixos e das grandes assimetrias sociais, depara-se com inúmeros desafios, a começar pela natalidade. Como destacámos na nossa edição de 25 de Dezembro, a realidade dos números expõe uma Região a caminho da agonia demográfica. Basta ver o número de nascimentos e o de mortes. Na costa norte a situação é quase dramática. As medidas impulsionadas pelos municípios são suficientes para estancar o problema? Não. Num futuro próximo as consequências da baixa natalidade vão gerar repercussões muito sérias.

Vamos assistir, em 2019, a um sem fim de números de propaganda política, de juras de compromisso eterno com os eleitores. O espírito eleitoral, que arrancou cedo de mais, como disse e bem o Presidente da República, pelos dias do Natal, vai durar, durar, durar. Marcelo Rebelo de Sousa, que esteve no Funchal e que provocou um episódio de ciumeira mal disfarçada, quando decidiu dar uma volta para ver as iluminações e o Mercado dos Lavradores, envolvendo políticos em combate pela cena mediática, que mostra bem o clima político que vamos ter até finais de Setembro, mês em que saberemos se vai ou não haver, por estas bandas, alguma espécie de ‘geringonça’ partidária. Para quem gosta de animação o ano promete, mas atenção às promessas fácies e aos homens providenciais. Os problemas estruturais que nos atormentam não se resolvem com retórica, nem com atitudes de promoção pessoal e de tentativa de manipulação da Imprensa. Requerem trabalho, criatividade e dedicação.

Roberto Ferreira
Outras Notícias