A oportunidade da Cimeira Atlântica na Madeira

Criar condições para que a nossa ilha esteja na linha da frente é em termos estratégicos uma forma de conseguirmos colocar em primeiro plano a construção de soluções para as nossas necessidades mais especificas enquanto região insular com as especificidades e limitações mas também desafios inerentes.

13 Mai 2019 / 02:00 H.

No próximo dia 7 de Junho o Atlanticulture Center na cidade de Machico será palco da Cimeira Atlântica Cabo Verde/Madeira. Este evento contará com os principais decisores políticos de ambas as regiões com destaque para a visita do Ministro da Cultura de Cabo Verde Abraão Mendes (conhecido defensor do relacionamento entre ilhas) e do Primeiro Ministro Ulisses Correia e Silva. Esta visita merece particular referência por ser efetuada com uma representação ao mais alto nível sendo que Cabo Verde detém neste momento a presidência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Para além da descentralização que importa referir no que a acontecimentos deste tipo diz respeito o que será naturalmente de salutar com Machico a assumir-se cada vez mais como referência Cultural importa aflorar alguns aspectos que tornam encerram uma importância decisiva neste encontro.

Em primeiro lugar o facto de colocar a ilha da Madeira como pólo central da discussão cultural e artística mas também no assumir das industrias criativas (tema tão estranho ainda a tanta gente) como pilar do desenvolvimento económico e social. São espaços de confronto de ideias desta génese que permitem também uma maior aproximação e aprofundamento da cooperação internacional, no encontro de sinergias enérgicas sobretudo no espaço atlântico seja através das regiões macaronésicas como na vertente linguística em que podemos e devemos de facto ser conjunto aglutinador. Criar condições para que a nossa ilha esteja na linha da frente é em termos estratégicos uma forma de conseguirmos colocar em primeiro plano a construção de soluções para as nossas necessidades mais especificas enquanto região insular com as especificidades e limitações mas também desafios inerentes.

De relevo serão também os pontos em discussão para o que se poderá chamar de plataforma construtiva para o futuro. Encontrar bases sólidas de formatação conjunta para um crescimento coletivo nomeadamente no que diz respeito ao acesso no ensino artístico passando pela formação e inovação mas na relação destes pontos com aquilo que se pode e deve tornar em mais um chamariz da atração turística de que tanto dependemos. A criação de uma agenda única de eventos culturais que não sobreponha acontecimentos por raio de ação e a implementação de um roteiro com regiões demarcadas que se complementem pode dar nova vida ao património alicerce natural da nossa história e tão importante para a competitividade cá dentro. Talvez a criação de um organismo independente dentro da estrutura governativa possa defender e implementar um plano para estas indústrias criativas como orgão permanente de articulação e de sugestão de políticas interventivas que possam criar condições para que se desenvolvam e tenham oportunidades sérias permitindo-lhes voar por si sem estar sempre dependentes do chavão da subsídio-dependência.

Ponto central na concretização de todos estes interesses terá que passar por um apoio à mobilidade cultural para que esses profissionais se possam deslocar à Madeira e que nós possamos também chegar a outros “mundos” como se faz já aliás em diversas outras áreas. As oportunidades que possam ser desenvolvidas nestas áreas com vista à própria rentabilidade é essencial para termos um produto sólido e atrativo. É desta forma imperioso que se aproveitem estes espaços de discussão para aflorar matérias que passem efetivamente das palavras aos actos, que se possam assinar protocolos e servir de forma efetiva as comunidades.Espera-se por isso com natural interesse um impulso claro no reafirmar desta Ponte Cultural Atlântica que se pretende uma plataforma para intercâmbios culturais internacionais. A história da Madeira está sobejamente ligada ao Comercio Atlântico e aquilo que o mar teima em separar teremos que ser nós, seja público ou privado a juntar aproveitando tudo o que nos liga e pontos de interesse comuns a favor de todos. É também no assumir deste tipo de eventos internacionais para cá que podemos combater cada vez mais a sazonalidade e criar condições competitivas para os nossos empresários e agentes. Em suma, todos ganhamos. Esperemos agora que a produtividade acompanhe a promoção além fronteiras que tudo isto trará. Criar condições para que a Madeira seja falada lá fora pelos melhores motivos será sempre de aplaudir. Venham mais.

José Paulo do Carmo
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