A leviandade eleitoral e a irresponsabilidade política

07 Nov 2018 / 02:00 H.

Quem é que no seu perfeito juízo poderá querer a marcação das próximas Eleições Regionais para a Madeira e Porto Santo a 22 de Setembro de 2019?

A hipótese do dia das Eleições Regionais a 22 de Setembro implicaria que o mais decisivo tempo de comunicação das candidaturas e dos candidatos com os demais cidadãos eleitores iria recair no mês de Agosto. Ora, quem é que, conhecendo minimamente a realidade regional, os hábitos e tradições, os ritmos e trajectórias sociais que marcam o mês de Agosto nestas ilhas, não saberá que em Agosto nem os casamentos se recomendam?

Quem é que não reconhecerá que não é nos dias em que a grande maioria das pessoas está em férias que estarão reunidas as condições para o esclarecimento e a propaganda política?

Quem não compreenderá que no meio dos arraiais populares, do rally, das romagens e festividades religiosas, entre as Festas da Senhora do Monte e de Ponta Delgada dificilmente existirá a igualdade de oportunidade de acção e propaganda das candidaturas?

Será que já ninguém responde pelas responsabilidades pelas taxas de abstenção sempre elevadas? Já ninguém se importa com as ameaças à democracia que estão associadas às técnicas de “marketing” político substituindo as propostas e as alternativas em confronto?

Estarão assim criadas condições mínimas para que se concorra democraticamente para a formação da vontade popular e para a organização responsável do poder político na Região Autónoma da Madeira?

Até que ponto estarão a ser respeitados os princípios gerais de direito eleitoral?

Edgar Silva

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