Resgatadas 1.500 peças do Museu Nacional no Rio de Janeiro

11 Dez 2018 / 15:00 H.

As equipas que trabalham na recuperação do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, após o incêndio que o atingiu em 2 de Setembro, resgataram 1.500 peças das 20.000 que integravam o acervo deste museu brasileiro.

“O resgate está ainda no início, mas as peças que encontrámos agora fazem-nos ter esperança e alento”, disse o director do Museu Nacional, Alexander Kellner, numa conferência de imprensa em que mostraram parte das peças resgatadas, segundo a agência de notícias espanhola Efe.

O material foi encontrado no meio dos escombros daquele edifício histórico durante os trabalhos de remoção das ruínas e de estabilização da estruturação que ficou de pé, referiu.

Entre os objectos resgatados e identificados figuram alguns minerais, cristais e quartzos, e peças da colecção de arqueologia, como uma urna da etnia marajoara e bonecos da cultura karajá fabricados por mulheres indígenas no início do século XX e considerados património imaterial brasileiro.

Foram também resgatados machetes de pedra e pontas de flecha em metal de culturas indígenas pré-colombianas e um vaso antropomorfo peruano também pré-colombiano que pertencia à colecção do imperador Pedro II.

“Para nós é muito importante resgatar as peças que eram da colecção do imperador”, explicou a coordenadora das equipas de resgate, Cláudia Carvalho.

A principal peça resgatada até agora foi o crânio de Luzia, os restos humanos mais antigos descobertos na América do Sul, que têm perto de 12.000 anos e eram uma das jóias do Museu Nacional.

O crânio, encontrado no estado de Minas Gerais, em 1974, foi recuperado do interior de um móvel que ficou mais protegido do fogo e que apesar de ter sofrido danos é recuperável.

Luzia era uma das principais peças do museu, juntamente com um meteorito de cinco toneladas encontrado no Brasil em 1784, os restos do primeiro dinossauro montado no Brasil, o conjunto de múmias egípcias comprado pelo imperador Pedro I e a colecção de arte greco-romana levada do Brasil para a imperatriz Teresa Cristina.

Os objectos recuperados estão armazenados em dois contentores que foram instalados ao lado dos escombros do Museu Nacional e que contam com equipas especiais de ventilação e controlo de temperatura.

A busca das peças mobilizou 47 funcionários do Museu Nacional coordenados por 10 investigadores.

Na conferência de imprensa foi também anunciado que o museu recebeu 190.000 euros do governo alemão, que serão usados na compra de materiais que ajudem ao resgate, como computadores, lupas e equipas de arqueologia.

O Museu Nacional, o mais antigo e de maior acervo do Brasil, com cerca de 200 anos, ficou reduzido a escombros em 02 de setembro último na sequência de um incêndio que destruiu a maior parte da sua colecção de 20 milhões de peças.

O Museu Nacional, no Rio de Janeiro, foi fundado por João VI, de Portugal, e era o mais antigo e um dos mais importantes museus do Brasil.

Entre as peças do acervo estavam a colecção egípcia, que começou a ser adquirida pelo imperador Pedro I, e o mais antigo fóssil humano encontrado no Brasil, baptizado de “Luzia”, com cerca de 11.000 anos.

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