Remoção do amianto “em boas condições” tem risco de “quase zero”

27 Jul 2018 / 03:36 H.

Um responsável da Ordem dos Engenheiros Técnicos (OET) de Portugal afirmou hoje que a remoção “em boas condições” do amianto, muito presente em Cabo Verde e em todos os países de expressão portuguesa, tem um risco de “quase zero”.

O amianto é “uma temática que assusta muita gente, mas que, de uma forma geral, é mal abordada, afirmou hoje José Delgado, presidente da secção regional sul da OET portuguesa, durante o III Congresso Lusófono de Segurança e Saúde Ocupacional e Ambiental, que decorre na cidade da Praia.

“Muitas vezes olha-se para a coisa como se fosse tudo igual e, no amianto, nada é igual, cada caso é um caso”, prosseguiu o engenheiro técnico, para quem a resposta nesta questão “é a prevenção”.

Segundo José Delgado, “o amianto mata quando não há prevenção” e, por esta razão, “o empregador tem de fazer a prevenção e proteger a saúde dos seus trabalhadores”.

“A produtividade e a segurança são parceiros”, sublinhou.

Durante a sua intervenção, este engenheiro apresentou imagens de bons e maus exemplos de remoção de placas de fibrocimento (com amianto), com as melhores a apresentar trabalhadores devidamente protegidos e a mostrar processos que evitam o maior dos perigos do amianto: a libertação das partículas.

Os piores exemplos partilhados com a assistência do congresso passaram por trabalhadores sem qualquer proteção, a manusear placas com amianto e a cortá-las, com a provável libertação para a atmosfera de partículas, as quais são perigosas para a saúde.

O engenheiro deixou ainda críticas às características dos coordenadores de segurança que, segundo disse, “qualquer um pode ser”.

“Também fazemos lá [em Portugal] muitas asneiras”, ironizou, recordando que o fibrocimento “existe muito em Cabo Verde e em todos os países de expressão portuguesa”.