Primeiro-ministro do Lesoto comparece em tribunal após acusação de homicídio da ex-mulher

24 Fev 2020 / 11:28 H.

O primeiro-ministro do Lesoto, Thomas Thabane, apresentou-se hoje em tribunal, onde deverá ser acusado pelo homicídio da ex-mulher, depois de ter faltado à audiência na sexta-feira para, alegadamente, receber um tratamento “de urgência” num hospital sul-africano.

Thomas Thabane, que, de acordo com o seu filho e porta-voz, Potlako Thabane, se deslocou na passada sexta-feira à África do Sul por “razões médicas”, deverá hoje ser acusado da morte com dois disparos de arma ligeira, no passado dia 14 de junho de 2017 da sua esposa, Lipolelo Thabane, então com 58 anos, com a qual se encontrava em processo de divórcio.

Thomas Thabane compareceu hoje no tribunal na capital do Lesoto acompanhado pela sua atual mulher, Maesaiah Thabane -- com quem casou dois meses apenas depois da morte da ex-mulher --, que foi já acusada de cumplicidade mesmo tribunal de Maseru no caso em julgamento.

O chefe de Governo deveria ter comparecido na passada sexta-feira perante o tribunal e a sua deslocação inopinada à África do Sul levaram as autoridades judiciais do Lesoto a considerar a emissão de um mandado de detenção internacional.

Os advogados de Thabane apresentaram este fim de semana documentos com os quais indicavam que o seu cliente não estaria em condições de apresentar-se perante a justiça antes do próximo dia 27.

Lipolelo Thabane, ex-mulher do primeiro-ministro, foi assassinada a tiro no dia 14 de junho de 2017 - dois dias antes da tomada de posse de Thomas Thabane -, quando entrava numa viatura na capital do reino do Lesoto, Maseru.

O primeiro-ministro e Lipolelo Thabane enfrentavam um processo de divórcio litigioso há vários anos.

Dois meses depois de Lipolelo ter sido assassinada, Thomas Thabane casou-se com Maesaiah Thabane.

A investigação sobre o crime prolongou-se durante dois anos tendo a atual mulher do primeiro-ministro sido acusada de envolvimento no assassínio no princípio do mês.

Maesaiah Thabane foi libertada sob caução.

Na quinta-feira, numa comunicação transmitido pela rádio e televisão públicas do Lesoto, o primeiro-ministro anunciou que vai apresentar a demissão até ao “final do mês de julho”, por motivos relacionados com a idade.

O assunto está a agitar politicamente o Lesoto e o partido de Thomas Thabane (ABC) acabou por pressionar o chefe do governo a demitir-se.

O julgamento ameaça destabilizar o pequeno reino montanhoso situado no meio da África do Sul.

A história recente da monarquia constitucional do Lesoto, encabeçada atualmente pelo rei Letsie III, que não tem poderes executivos, está marcada por diversos golpes de Estado desde que conseguiu a independência do Reino Unido, em 1966.