Papa pede ajuda eficaz contra fome em vez de “declarações pomposas”

16 Out 2018 / 12:54 H.

O papa Francisco pediu hoje ajuda eficaz em vez de “pomposas declarações” no combate à fome, dirigindo-se à agência das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura que assinala hoje o Dia Mundial da Alimentação.

Numa mensagem lida pelo representante da Santa Sé naquele organismo, Francisco criticou os “eventos solenes, compromissos que nunca chegam a materializar-se ou vistosas publicações destinadas apenas a engrossar catálogos de bibliotecas”.

“A solidariedade internacional parece esfriar” e aumentam as pessoas “que não têm nada, ou quase nada, para por na boca” e aguardam “uma ajuda eficaz que os tire da sua prostração”, declarou o papa.

Francisco argumentou que é possível acabar com a fome até 2030, apelando para a responsabilização de todos para que este “não seja mais um Dia” com “pomposas declarações” que são inúteis para o que se pretende atingir.

Apelou “especialmente à FAO, aos seus estados-membros, aos organismos nacionais e internacionais, à sociedade civil e às pessoas de boa vontade” para que redobrem esforços para que “a ninguém falte comida, nem em quantidade nem em qualidade”.

O papa recomendou que os países colaborem para que se satisfaçam as necessidades dos mais pobres, que prestem atenção aos níveis de produção da agricultura, que garantam o acesso ao mercado da alimentação e que reconheçam que, “na hora de tomar decisões, os países têm todos a mesma dignidade”.

“A luta contra a fome reclama imperiosamente financiamento generoso, a abolição de barreiras comerciais e, sobretudo, o aumento da resiliência face às alterações climáticas, às crises económicas e aos conflitos bélicos”, defendeu.

A classe política, apontou, tem “falta de vigor” e muitas vezes move-se só por interesses eleitoralistas, faltando-lhe “vontade política”.