ONU denuncia violência contra jornalistas e no Sudão do Sul

23 Fev 2018 / 01:14 H.

Um relatório ontem publicado pelas Nações Unidas lista 60 incidentes no Sudão do Sul, país em guerra civil desde dezembro de 2013, em que jornalistas foram mortos, espancados, detidos ou despedidos por fazerem o seu trabalho.

Os responsáveis de segurança do Sudão do Sul estão na origem da maioria destes incidentes, verificados pela Missão da ONU no Sudão do Sul (MINUSS) e pelo Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos entre julho de 2016 e dezembro de 2017.

Durante uma conferência de imprensa em Juba, o chefe da MINUSS, David Shearer, afirmou que esses incidentes refletem “uma redução no espaço concedido ao debate e à dissidência”.

A ONU disse que confirmou 60 incidentes - entre 99 alegações reportadas - que afetaram 102 pessoas.

Nos incidentes confirmados, duas pessoas foram mortas, 58 outras foram arbitrariamente presas e 16 despedidas.

A ONU também reportou “intimidações, assédios e outras formas de violência”.

Nove meios de comunicação enfrentaram restrições, três foram fechadas ou suspensas, quatro sítios eletrónicos bloqueados e oito artigos censurados, segundo a fonte.

A grande maioria desses incidentes envolveu jornalistas do Sudão do Sul, mas os correspondentes estrangeiros também foram alvo destas ações.

Vinte jornalistas estrangeiros também viram a sua entrada no país negada, depois de publicar artigos que não agradaram o Governo do Sudão do Sul.

“Os visados foram considerados críticos do Governo e acusados de manchar a reputação do país”, disse Shearer.

Dois anos e meio após a sua independência, o Sudão do Sul mergulhou numa guerra civil em dezembro de 2013, que fez dezenas de milhares de mortos e foi marcada por atrocidades de cariz étnico perpetradas contra civis.

Criticados por continuarem uma luta pelo poder apesar do sofrimento de seu povo, o Governo e os rebeldes estão cada vez mais hostis aos meios de comunicação independentes.

Os investigadores da ONU que redigiram o relatório foram impedidos de viajar para as áreas sob controlo dos rebeldes para verificar as suas alegações.

Em áreas controladas pelo Governo, os investigadores concluíram que “dois terços dos incidentes verificados” são atribuíveis às forças de segurança (exército, polícia, serviços de informação).

O serviço de informação do Sudão do Sul (NSS) foi acusado pela ONU de realizar vigilância e prisão de jornalistas, bem como a implantação de agentes em redações para censurar artigos, de acordo com Eugene Nindorera, chefe do departamento de direitos humanos da MINUSS.

Como resultado, os meios de comunicação tendem cada vez a realizar uma autocensura, por medo de represálias, de acordo com a mesma fonte.