Mulheres nos PALOP são desproporcionalmente afectadas no acesso à saúde

20 Abr 2018 / 15:11 H.

A diretora do Departamento de Doenças Transmissíveis da Organização Mundial da Saúde para África afirmou hoje que, apesar do aumento da participação das mulheres na política nos países lusófonos, estas continuam a ser desproporcionalmente afetadas no acesso à saúde.

“Apesar da maior e crescente participação de mulheres na política e nos governos, em alguns dos países [da África lusófona] as mulheres e raparigas continuam a sofrer diariamente discriminação e são desproporcionalmente afetadas pelos desafios no acesso aos cuidados de saúde”, disse a diretora do Departamento de Doenças Transmissíveis da Organização Mundial de Saúde para África (OMS-África), Magda Robalo, que falava numa conferência do encontro regional da Cimeira Mundial de Saúde, em Coimbra.

Para Magda Robalo, há vários desafios que “a África lusófona enfrenta” com a instabilidade política a continuar a ter um impacto na saúde das mulheres.

Com a exceção de Cabo Verde, que assegura “uma quase cobertura universal de cuidados de saúde e que descriminalizou o aborto”, as mulheres e raparigas nos países africanos de expressão portuguesa “sofrem discriminação”, seja representada pela mortalidade maternal, violência doméstica ou taxas de gravidez na adolescência muito elevadas - consequência “do casamento precoce e acesso restrito a cuidados de saúde” -, alertou Magda Robalo.

Segundo a diretora do Departamento de Doenças Transmissíveis, é necessário combater a desigualdade de género na área da saúde, referindo que espera que a OMS-África trabalhe “cada vez mais com a CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa] para apoiar a implementação da agenda regional de acesso universal à saúde reprodutiva e sexual”.

Para Magda Robalo, quando se fala de desigualdade de género nunca se pode retirar o homem da equação.

“Todos os movimentos que têm surgido e se têm mobilizado pela igualdade de género não podem ter sucesso se não envolverem os homens. Temos que envolver as nossas crianças, os nossos rapazes, os nossos jovens, os nossos maridos”, defendeu, apelando a um compromisso dos homens em questões de igualdade de género.

“Há homens que têm tido sucesso em abordar questões como a prevenção do VIH ou a violência doméstica. Mas ainda são poucos para fazer a diferença”, constatou.

Durante a conferência, que tinha como tema “Investir na Saúde das Mulheres”, falaram também a diretora da Representação Regional do Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP) em Genebra, Mónica Ferro, a ex-diretora do Departamento de Saúde Reprodutiva e Investigação da OMS Marleen Temmerman e o diretor-adjunto para Saúde Materno-infantil na Fundação Bill & Melinda Gates, Jerker Liljestrand.

O encontro regional da Cimeira Mundial de Saúde, que começou na quinta-feira, reúne mais de 700 peritos, num evento em que o tema central é a saúde global dos países africanos.

Durante a reunião em Coimbra serão apresentadas comunicações por cerca de 120 oradores de mais de 40 países, que vão abordar temas como a mortalidade infantil, cuidados de saúde após conflitos armados, doenças infecciosas, alterações climáticas, medicina digital, reversão da disseminação da malária, migração e saúde e acesso a vacinas.

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