‘Maduristas’ contra ajuda humanitária

12 Fev 2019 / 21:04 H.

A concentração dos apoiantes de Maduro foi claramente uma iniciativa partidária, de militantes. Muita gente de vermelho e um discurso concertado, a defesa incondicional do líder, contra a ingerência dos Estados Unidos.

Na praça Morelos juntaram-se alguns milhares de pessoas antes de desfilarem pela avenida até à Praça Bolívar, onde o Presidente Maduro discursou.

As camisolas vermelhas, os símbolos de variados grupos populares, associações, movimentos apoiados pelo partido do governo, ‘t-shirts’ com fotografias de Chávez, outras de Maduro. Percebe-se que a grande maioria dos populares que se juntaram para a concentração são do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), alguns serão mesmo militantes outros de organizações populares.

O seu discurso é quase sempre o mesmo. Apoio incondicional ao Presidente Maduro, contra o imperialismo norte-americano, contra a entrada de ajuda humanitária, que consideram ser uma armadilha para meter tropas no país.

É o que diz, por exemplo, Silvia Balles, que faz um paralelo com outros países onde os Estados Unidos realizaram intervenções militares: “Aqui não precisamos de ajuda humanitária, a ajuda vem é para destruir a Venezuela. Como fizeram na Líbia, Síria e Iraque, para poderem roubar os nossos minerais, porque querem matar a Venezuela”.

Sílvia diz estar na rua para comemorar a juventude, felicitar Nicolás Maduro.

Discurso igual tem Nelson Romero, que diz apoiar Maduro, defender Maduro... “em qualquer batalha”.

Sobre a crise que o país vive, considera que “é passageira”, não valoriza. Curiosamente, Romero acha que a ajuda humanitária pode fazer sentido, porque o povo precisa de ajuda.

Raimon Sánchez é outro jovem ‘madurista’ que se diz a defender a paz. Sobre Guaidó, perde a compostura, chama-o louco: “Nem sequer manda em sua casa, de certeza que é a mulher que manda. Um palhaço”. Sem argumentos...

Outro jovem refere-se à ajuda humanitária de Trump como “um cavalo de Troia” e apela ao presidente dos EUA para desbloquear as contas da Venezuela, se quer ajudar o país.

Dois jovens, David Reyes e Juan Rojas prepararam uma palavra de ordem cantada: “Foi preparada para o império ‘yankee’: Na Venezuela, Guaidó não. Só há um e o seu nome é Nicolas Maduro”.

Otávio Rodriguez tem um discurso mais radical. Diz mesmo que “é mentira, não há gente a morrer. Grande mentira. Querem é vir pela fronteira. Mas, não vão entrar. Aqui estão os venezuelanos, com Maduro. Aqui não entra ninguém”.

A manifestação de contestação ao regime foi anunciada no passado dia 02 por Guaidó, que falava perante milhares de apoiantes concentrados em Las Mercedes, leste de Caracas, onde apelou à continuação da luta contra o regime de Nicolás Maduro.

Em resposta, a esta que é a terceira jornada de mobilização pedida por Guaidó, depois das dos dias 23 de janeiro e 02 de fevereiro, Nicolas Maduro anunciou que ia participar na marcha de hoje de jovens da esquerda contra a “intervenção imperialista americana”.

Guaidó autoproclamou-se Presidente interino a 23 de janeiro, dias depois da posse de Nicolás Maduro para um segundo mandato, após uma eleição considerada ilegítima pela UE.

A maioria dos países da União Europeia (UE), incluindo Portugal, os Estados Unidos, o Canadá e vários países latino-americanos, designadamente o Brasil e a Colômbia, reconheceram Juan Guaidó como Presidente interino com a missão de realizar eleições presidenciais livres e transparentes.

A crise política na Venezuela, onde residem cerca de 300.000 portugueses ou lusodescendentes, soma-se a uma grave crise económica e social, com escassez de bens e serviços essenciais, que levou 2,3 milhões de pessoas a fugir do país desde 2015, segundo dados da ONU.