Governo venezuelano confirma morte de ex-polícia rebelde

16 Jan 2018 / 19:22 H.

O ministro do Interior venezuelano, Néstor Reverol, confirmou hoje que o ex-polícia rebelde e piloto do helicóptero Óscar Pérez e outras seis pessoas que o acompanhavam, morreram segunda-feira, durante uma operação policial para a sua captura.

Na operação, que teve lugar em El Junquito, nas proximidades de Caracas, segundo o ministro, faleceram ainda dois agentes da Polícia Nacional Bolivariana e oito ficaram gravemente feridos, tendo sido detidos seis alegados cúmplices de Óscar Pérez.

“Apesar das tentativas para conseguir uma solução pacífica e negociada, este grupo terrorista fortemente armado, iniciou, de maneira mal-intencionada, um confronto com os organismos de segurança atuantes”, explicou o ministro durante uma conferência de imprensa em Caracas.

A localização do sítio onde se encontrava o “grupo terrorista”, segundo Néstor Reverol, teve lugar na sequência do rastreio a um dos integrantes, depois de dar uma entrevista a um canal de televisão, que não precisou qual era, mas a imprensa diz tratar-se da CNN em Espanhol.

Ainda segundo o ministro foram detetadas transferências bancárias usadas para o alegado financiamento de ações terroristas no país.

As declarações do ministro contrastam com vídeos divulgados pela Internet em que Óscar Pérez denuncia que pretendiam assassiná-lo. Num dos vídeos ouve-se quando chama a atenção de funcionários para a existência de civis no lugar e pede que não disparem porque se vai entregar.

Um dos mortos, segundo a imprensa venezuelana, apoiava as forças de segurança e liderava um grupo de “coletivos” (motociclistas armados afetos ao regime).

Segunda-feira, após a operação policial, residentes em El Junquito, realizaram vários protestos contra as forças de segurança e inclusive chegaram a atirar pedras e garrafas contra os polícias.

Entretanto organizações não-governamentais, como o Programa Venezuelano de Educação e Ação em Direitos Humanos (PROVEA), já reagiram às declarações de Néstor Reverol, a quem acusam de omitir informações sobre a participação de “coletivos” na ação policial para deter o ex-polícia.

O ex-inspetor Óscar Pérez era acusado de, em junho de 2017, ter usado um helicóptero do Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminalísticas (CICPC, antiga Polícia Técnica Judiciária), para disparar vários tiros contra a sede do Ministério do Interior e Justiça e arremessado quatro granadas contra o Supremo Tribunal de Justiça, que não causaram vítimas.

Era também acusado de, a 18 de dezembro último, ter liderado um grupo de 49 homens que assaltou um comando da Guarda Nacional Bolivariana (GNB, polícia militar), de onde roubaram armas e munições e manietaram vários oficiais, em Laguneta de La Montaña, a sul de Caracas.

Em 2015 produziu e participou, como actor, no filme “Muerte Suspendida” (2015), inspirada num caso real de um empresário português que foi sequestrado por desconhecidos e resgatado pela polícia venezuelana após um mês de cativeiro.