EUA voltam a ameaçar com “a maior resposta militar” se forem utilizadas armas químicas

11 Set 2018 / 05:10 H.

Os Estados Unidos advertiram esta segunda-feira o Governo de Damasco de que a sua resposta militar a um possível ataque químico na Síria será a “mais forte” até agora desencadeada no país e asseguraram contar com o apoio do Reino Unido e França para esta acção.

“A resposta do Governo de [Donald] Trump quando tivemos provas indiscutíveis em duas ocasiões, uma em Abril de 2017 e outra em Abril deste ano, foi utilizar a força contra o regime sírio pelo uso de uma arma de destruição em massa”, declarou John Bolton, assessor de segurança nacional do Presidente dos EUA.

“Nos últimos dias, temos tentado exprimir a mensagem de que se ocorrer um terceiro uso de armas químicas [desde a chegada do poder de Trump], a resposta será muito mais forte”, assinalou Bolton durante uma sessão em Washington.

Nas últimas semanas a ONU e as potências ocidentais advertiram que um ataque em larga escala do Governo sírio na província de Idleb, último bastião dos rebeldes e de grupos ‘jihadistas’, poderia originar uma crise humanitária sem precedentes.

O enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, disse no mês passado que receia o uso de armas químicas em Idleb por parte das forças governamentais ou do ex-ramo sírio da Al-Qaida, enquanto Damasco e Moscovo acusaram os rebeldes de preparar um falso ataque químico para tentar culpar as autoridades.

Bolton criticou o “Governo da Rússia e outros” por assegurarem que os Estados Unidos “estão a fornecer uma autorização à Al-Qaida para que use armas químicas e tentem culpar o Governo da Síria por essa acção”.

“Esta afirmação é uma das mais indignas que tenho escutado na história da propaganda do século XX e XXI”, acrescentou.

Em abril de 2017 Trump ordenou o lançamento de dezenas de mísseis contra a base aérea síria de Al Shairat, como represália por um ataque químico na localidade de Khan Shaykhun, em Idleb, em que morreram mais de 80 pessoas com a responsabilidade atribuída por uma agência da ONU ao regime de Damasco.

Em Abril passado, em coordenação com o Reino Unido e França, os EUA atacaram com cerca de 100 mísseis três instalações sírias onde supostamente estava armazenado material químico, em resposta a um alegado bombardeamento com gases tóxicos em Duma, então na posse de grupos rebeldes.