EUA atemorizados com crescente influência russa e chinesa na Europa

Europa /
10 Fev 2019 / 20:07 H.

Os temores dos Estados Unidos sobre a crescente influência chinesa e russa na Europa Central vão esta semana estar no centro da agenda da visita à região do secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, segundo fontes governamentais.

Pompeo parte hoje para uma visita a cinco países da região europeia, que começa na Hungria e na Eslováquia, onde vai levar as preocupações de Washington, e salientar a importância de promover a democracia e o Estado de Direito, para combater os esforços de Pequim e Moscovo para colocar os países contra o Ocidente e semear divisões na União Europeia e na NATO.

A parte fundamental da viagem é uma conferência sobre o futuro do Médio Oriente, na Polónia, na quarta e quinta-feira, que deverá ser centrada no Irão e na qual deverão participar o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, o vice-Presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, e o conselheiro de Donald Trump (e genro) para a paz no Médio Oriente, Jared Kushner, além do representante especial de Trump para as negociações internacionais, Jason Greenblatt.

Em Budapeste e Bratislava, na segunda e terça-feira, Pompeo apontará especificamente para questões relacionadas com a dependência da Europa Central em relação à energia russa, e com a presença da empresa chinesa de alta tecnologia Huawei, particularmente na Hungria, disseram fontes ouvidas pela agência de notícias AP, que falaram sob anonimato por não estarem autorizadas a discutir publicamente a viagem do secretário de Estado.

As autoridades norte-americanas estão profundamente preocupadas com a expansão da Huawei, especialmente nos países membros da NATO, onde acreditam que ela representa ameaças significativas à segurança da informação.

As fontes disseram que Pompeo espera reverter o que chamaram de uma década de afastamento dos Estados Unidos na Europa Central, que deixou um vazio que a Rússia e a China exploraram, com uma presença muito mais agressiva.

Fonte oficial citada pela AP disse que Pompeu vai procurar áreas de interesses comuns que foram negligenciadas no passado recente para “erradicar os rivais do Ocidente” em lugares onde ganharam força.

O governo dos Estados Unidos fez questão de apoiar o primeiro-ministro nacionalista húngaro, Victor Orban, que partilha a ideia de Donald Trump de limitar a imigração. O governo de Barak Obama afastara-se do regime de Orban, que ganhou o terceiro mandato consecutivo no ano passado com uma campanha baseada em políticas anti-imigração.

Organizações de direitos humanos lamentaram que Pompeu se vá reunir com Orban, em vez de adotar uma postura firme contra as suas políticas.

E as fontes ouvidas pela AP responderam que é impossível pressionar a Hungria com as posições e interesses dos Estados Unidos sem um encontro com Orban.

Em Bratislava, Pompeu vai encontrar-se com as autoridades do país e prestar homenagem às centenas de pessoas que morreram tentando escapar da ex Checoslováquia para a Áustria, durante a “guerra fria”.

Após a conferência de Varsóvia sobre o Médio Oriente o secretário de Estado terá ainda breves visitas a Bruxelas, na Bélgica, e em Reiquiavique, na Islândia, na sexta-feira.

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