Esquiador francês que morreu nos Alpes em 1954 identificado graças às redes sociais

29 Jul 2018 / 15:49 H.

A polícia italiana conseguiu, com a ajuda das redes sociais, descobrir a identidade de um esquiador francês que morreu em 1954 a 3.100 metros de altitude e que esteve desaparecido durante 64 anos, adiantou a AFP.

Os restos mortais e os acessórios do esquiador foram encontrados a 22 de julho de 2005 no Val d’Aoste (noroeste de Itália), nos cumes dos Alpes, na região de Valtournenche, explicou no domingo, em comunicado, a polícia italiana.

No entanto, só agora foi possível chegar à identidade do esquiador.

No fim de junho, a polícia lançou um apelo nas redes sociais para tentar identificar a vítima, um homem de cerca de trinta anos, de acordo com as análises realizadas.

As análises permitiram concluir que se tratava de uma pessoa abastada, tendo em conta a boa marca dos seus esquis de madeira, com um número de série, precisou Marinella Laporta, da polícia científica de Turim.

Concluíram ainda que o esquiador devia medir cerca de 1,75 metros, estimativa confirmada por um médico, e que a morte terá ocorrido na primavera, tendo por base o blusão ligeiro que a vítima envergava.

Foram recuperados ainda os óculos, um relógio e pedaços de uma camisa com iniciais bordadas.

As descobertas foram partilhadas no fim de junho nas redes sociais, tendo a polícia a crença que o esquiador não seria italiano, uma vez que a investigação em Itália não tinha obtido qualquer resultado na identificação.

Rapidamente, uma francesa, Emma Nassem, respondeu, depois de ter ouvido a informação numa rádio francesa, tendo indicado o nome do seu tio, Henri Le Masne, nascido em 1919 em Alençon (oeste de França) e morreu no monte Cervin (na região de Val d’Aoste nos Alpes) em 1954, num dia de grande tempestade, de acordo com o comunicado.

Também o irmão mais novo da vítima, Roger Le Masne, agora com 94 anos, se manifestou, emocionado, depois do apelo.

“Sou irmão de Henri Le Masne, que é provavelmente o esquiador desaparecido durante 64 anos”, escreveu numa carta, que acrescentou que o irmão, “solteiro, era uma personagem muito independente”, que trabalhava na administração pública, no Ministério das Finanças, em Paris.

No momento do desaparecimento, Roger Le Masne chegou a deslocar-se ao hotel de montanha onde o seu irmão tinha reservado um quarto durante quinze dias, e onde tinha deixado objetos pessoais, assim como 35 mil liras e cinco mil francos franceses, e onde não regressou depois de sair para esquiar a 26 de março de 1954.

Numa fotografia disponibilizada pela família, a polícia de Aoste identificou os mesmos óculos encontrados a 3.100 metros de altitude.

Mas para eliminar qualquer dúvida, Roger Le Masne disponibilizou-se para um teste de ADN, que revelaram a presença de um cromossoma Y comum a várias gerações de homens na família.

A 24 de julho Henri Joseph Leonce Le Masne foi finalmente e formalmente identificado.