Especialistas defendem ser necessária mais uma categoria de furacões

20 Jun 2018 / 01:21 H.

Diversos especialistas defenderam hoje que, perante a violência dos furacões registados nos últimos tempos, é necessário acrescentar uma sexta categoria na escala Saffir-Simpson, atualmente usada para medir estes fenómenos meteorológicos.

Segundo o investigador Kerry Emanuel, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos EUA, as chamadas “tempestades monstruosas”, previstas há 30 anos, “agora chegaram”.

“Já não se pode ignorar a nova realidade”, apontou o especialista, considerando que a escala atual não contempla “adequadamente os danos que estas tempestades podem causar”.

Kerry Emanuel e o cientista da Universidade de Princeton Ning Lin já tinham alertado, num estudo de 2015, que passou a ser 14 vezes mais provável que os furacões de categoria seis sejam comuns, com ventos de cerca de 375 quilómetros por hora e ondas até 12 metros.

Mike Mann, professor de Ciências Atmosféricas na universidade norte-americana de Pennsylvania também defendeu uma categoria seis para furacões com ventos de mais de 320 quilómetros por hora.

Os furacões Allen (de 1980), Gilbert (1988), Patricia (2015) e Irma (2017) estariam nesta categoria.

Um estudo do Centro Nacional de Investigação Atmosférica refere que, se as temperaturas globais continuarem a aumentar, os furacões terão mais “combustível”, ou seja, poderão gerar mais chuva, mover-se mais lentamente e os seus ventos poderão atingir maior velocidade, características que, combinadas, provocam maiores danos.

No entanto, há vozes discordantes relativamente à possibilidade da criação de uma nova categoria, como Phil Klotzbach, do departamento de Ciências Atmosféricas da universidade do Colorado.

“Acrescentar uma sexta categoria à escala Saffir-Simpson traria uma confusão desnecessária na opinião pública. Já temos visto os danos causados pelos furacões de categoria cinco. Não sei se seria útil especificar uma categoria adicional”, salientou.

Este investigador detetou uma situação este ano e no anterior que parece contrariar a subida de temperatura: um arrefecimento no Atlântico que levou a um ajustamento das previsões para 2018, passando a incluir menos tempestades e menos dias de tempestade que a estimativa de abril.

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