Emigrantes lesados do BES de novo em protesto em Paris “não se vão calar”

Paris /
17 Mar 2018 / 14:48 H.

Os emigrantes lesados do ex-Banco Espírito Santo (BES) voltaram a manifestar-se, hoje, junto à Embaixada de Portugal em Paris, e dizem que “não se vão calar”.

A manifestação foi organizada pelo grupo Emigrantes Lesados Unidos para denunciar a falta de proposta comercial para os clientes que subscreveram os produtos financeiros EG Premium e EuroAforro 10 e para reclamar ao Fundo de Resolução 31,7% do capital investido, depois de um acordo com o Novo Banco que lhes vai dar acesso a 75% do dinheiro nos próximos anos.

Figura habitual nos protestos dos emigrantes lesados do BES, em Paris, Manuel José Ferreira voltou a manifestar-se e levou consigo a “forquilha do diabo” que o acompanhou a todas as manifestações na capital francesa.

“Desde 2014 que a trago comigo. Isto é o símbolo do diabo e este banco não foi o diabo para nós, foi o inferno. Muitas pessoas estão doentes - que eu conheço - paralisadas até, outras já se suicidaram. A gente está à espera do dinheiro porque precisa do dinheiro. Agora mandaram 60% para o banco, mas está bloqueado cinco anos”, afirmou.

O português de 63 anos, há 47 a viver em França, contou que a própria esposa está com uma depressão e referiu que ele próprio vai continuar a lutar para reaver a totalidade do capital que depositou no banco e “em solidariedade” para com os que ainda não têm qualquer proposta comercial.

“Eu penso que a uma certa altura vão ter vergonha porque as pessoas não se vão calar. Isto são pessoas de uma certa idade que não têm nada a perder”, afirmou o emigrante que assinou, em agosto do ano passado, a proposta comercial do Novo Banco para recuperar 75% do dinheiro investido numa conta a prazo por cinco anos.

Com um cartaz onde se lia “EG Premium igual a zero”, José Azevedo, de 72 anos, quer continuar a manifestar porque quer recuperar os cem mil euros, as poupanças previstas para “o fim da vida”, que tinha no produto EG Premium, que lhe garantiram ser uma conta a prazo.

“Isso é mesmo o que se chama roubar descaradamente. Todos a prometer coisas e é ver aquele que mais mente. O poder político sabe, toda a gente em Portugal sabe que houve um assalto aos emigrantes que foi programado. Vieram de Portugal incentivar pessoas a mudar dinheiro para estas contas dizendo que era seguro e, no fundo, lixaram-nos e elas ficaram sem nada”, explicou o português que vive em França há 46 anos.

A Associação Movimento Emigrantes Lesados Portugueses (AMELP) - cujos dirigentes não estiveram presentes no protesto de hoje - anunciou, a 09 de março, “avanços significativos” nas negociações para encontrar uma solução para os clientes dos produtos EG Premium e EuroAforro 10, sem se comprometer com uma data para a sua conclusão.