Embaixador admite “pouca presença de empresas chinesas” na Guiné-Bissau

10 Nov 2018 / 04:12 H.

O embaixador da China na Guiné-Bissau, Jin Hongjun disse hoje que há “pouca presença” de empresas do seu país no território guineense, onde, afirmou, poderiam desenvolver atividades em áreas como turismo, agricultura e comercio.

Jin Honguin, 12º embaixador da China na Guiné-Bissau desde a independência unilateral do país africano em 1973, promoveu hoje um encontro com os jornalistas de diferentes órgãos de comunicação social guineenses para um balanço da cooperação entre os dois países, desde que foi nomeado em abril de 2017.

Expressando-se num português fluente, Honguin, que estudou na Universidade de Coimbra, em Portugal, considerou a Guiné-Bissau “um país rico e com muitas potencialidades”, mas onde apenas atuam, neste momento, empresas chinesas do setor da pesca, disse.

“Se formos ver nos outros países africanos vamos encontrar muitas empresas chinesas, tanto particulares como estatais, mas no caso da Guiné-Bissau temos muito poucas empresas, apenas algumas empresas no domínio das pescas”, assinalou o embaixador.

Jin Honguin considerou que não existem motivos políticos que possam parar os vários projetos de cooperação que a China tem com a Guiné-Bissau, mas admitiu que o impasse político, que o país africano vive há cerca de quatro anos, poderá estar a influenciar negativamente as trocas comerciais entre os dois países.

O fenómeno poderá estar a afetar não só às empresas chinesas, defendeu Honguin.

“Assistimos a um fenómeno, digamos, uma certa estagnação por parte de empresas estrangeiras”, acrescentou o embaixador chinês em Bissau.

Em relação aos projetos futuros e imediatos, a China irá entregar à Guiné-Bissau, dentro de 25 meses, um porto de pesca em Bissau, no valor de 22,7 milhões de euros e vai construir a primeira autoestrada do país, ligando a rotunda do aeroporto internacional Osvaldo Vieira à localidade de Safim, numa distância de 8,2 quilómetros, orçado em 24,5 milhões de euros.

O embaixador chinês esclareceu que as duas obras são donativos.

A China projeta ainda ajudar a Guiné-Bissau a desenvolver a agricultura, com o Presidente do país africano, José Mário Vaz, a propor aumentar a produção do arroz, base da dieta alimentar dos guineenses, de duas toneladas por hectare para cinco, contando com a técnica do “pai do arroz híbrido”, assinalou Jin Honguin.

O Presidente guineense visitou no passado mês de setembro o chamado “pai do arroz híbrido”, o agrónomo chinês Yuan Longping, de 94 anos, que lhe prometeu enviar uma equipa de técnicos para analisarem as possibilidades de desenvolvimento do cereal, afirmou o embaixador Honguin.

“Com o arroz híbrido da China é possível atingir 18 ou 20 toneladas por hectare”, notou o diplomata.

Jin Honguin assinalou que a China “mantém apoios firmes” nas áreas da saúde e educação, bem como ajudas ao setor da comunicação social da Guiné-Bissau.

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