Coronel austríaco suspeito de décadas de espionagem para a Rússia

10 Nov 2018 / 05:02 H.

A Áustria suspeita que um dos seus coronéis espiou durante anos para a Rússia, uma alegação que Moscovo recusa, lamentando que Viena não tenha seguido a conduta diplomática tradicional em relação a estes casos.

O chanceler austríaco, Sebastian Kurz, falou hoje do caso numa conferência de imprensa e o encarregado de negócios russo em Viena foi convocado pela ministra dos Negócios Estrangeiros, Karin Kneissl, que anulou uma visita oficial à Rússia prevista para o início de dezembro.

Moscovo reagiu anunciando a convocação do embaixador austríaco ao Ministério dos Negócios Estrangeiros russo.

O oficial austríaco, 70 anos e atualmente reformado, é alvo de um inquérito judicial em Salzburgo (oeste) e terá começado a trabalhar para os serviços de informações russos nos anos 1990, tendo continuado a atividade até este ano.

Kurz disse que levava o caso muito a sério e exigiu “informações transparentes” de Moscovo.

“A espionagem russa na Europa é inaceitável e deve ser condenada”, declarou à imprensa.

O chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, lamentou a publicidade dada ao caso, que considerou “uma surpresa muito desagradável”.

“Os nossos parceiros ocidentais têm optado nos últimos tempos por não recorrer à diplomacia tradicional (...), mas à designada ‘diplomacia de megafone’, acusando-nos publicamente e pedindo uma explicação pública sobre uma questão que desconhecemos”, disse Lavrov numa conferência de imprensa.

Segundo o ministro da Defesa austríaco, Mario Kunasek, o caso foi descoberto “há algumas semanas” na sequência de informações fornecidas por uma agência de informações secretas europeia.

As relações diplomáticas entre a Rússia e os países ocidentais atravessam um período difícil desde o envenenamento em março no Reino Unido do ex-espião duplo russo Serguei Skripal, atribuído a Moscovo.

Vários países também acusaram recentemente a Rússia de ter orquestrado uma série de ciberataques a nível mundial.

O governo austríaco, no entanto, tem desenvolvido uma proximidade com a Rússia e distinguiu-se dos seus parceiros da União Europeia em março, recusando expulsar diplomatas russos em pleno caso Skripal, declarando querer “manter abertos os canais de comunicação” com Moscovo.

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