Cidade ucraniana de Lviv evoca genocídio de judeus pela Alemanha nazi

02 Set 2018 / 16:34 H.

A cidade ucraniana de Lviv assinalou o 75.º aniversário da aniquilação da população judia pela Alemanha Nazi, honrando aqueles que continuam a trabalhar nos dias de hoje para que a história não seja esquecida.

As cerimónias em Lviv, outrora um importante polo da vida judaica na Europa de Leste, inclui um concerto no meio das ruínas de uma sinagoga e a entrega a várias pessoas de uma chave de vidro que foi esculpida por um artista norte-americano com base numa antiga chave de metal de uma sinagoga encontrada num mercado de Lviv.

“Que Deus proíba a nossa cidade de voltar a viver tal tragédia”, declarou o presidente da Câmara Municipal de Lviv, Andriy Sadoviy, acrescentando: “Nós hoje nem sequer imaginamos o momento de dor, humilhação e revolta que milhares de pessoas de Lviv sentiram no século passado”.

Iryna Matsevko, directora do Centro para a História Urbana da Europa de Leste e uma das organizadoras do evento, realçou que esta foi a primeira vez que a cidade de Lviv realizou uma tão vasta cerimónia para recordar e tomar consciência daqueles acontecimentos do passado.

Em sua opinião, a sociedade ucraniana necessita de se lembrar dos judeus que foram aniquilados pelos nazis durante a ocupação da Europa de Leste, situação que, em alguns casos, ocorreu com a colaboração de pessoas que aí viviam e tinham nascido.

Os novos esforços para recordar o passado passam pela criação de cursos de história nas universidades, novos estudos e investigações de professores, alunos e outros voluntários, havendo a intenção destes últimos em recuperar e devolver aos cemitérios as campas de judeus que foram usadas para pavimentar estradas.

“Trata-se de um processo para reavivar a memória da herança judaica, mas tem sido um processo lento.

Pretendemos que seja mais rápido, numa altura em que a herança judaica está a regressar à consciência das pessoas”, disse Matsevko.

Antes da Segunda Grande Guerra Mundial, Lviv e a área circundante pertencia à Polónia e designava-se por Lwow. Tinha a terceira maior comunidade judaica da Polónia, logo a seguir a Varsóvia e a Lodz, sendo muitos deles comerciantes, artesãos e operários.

Antes da Primeira Grande Guerra Mundial, Lvic e a área circundante fazia parte do Império Austro-Húngaro e a cidade era conhecida pelo nome germânico de Lemberg.

Em junho de 1941, a Alemanha atacou a União Soviética, seu antigo aliado. Quando entraram na cidade, as tropas germânicas e os seus colaboradores locais massacraram os judeus que viviam na cidade e nas redondezas.

Enquanto ocupavam a área, os alemães chacinaram os judeus num gueto, no campo da morte de Belzec e no campo de trabalhos forçados de Janowska, tendo a aniquilação final ocorrido em 1943, data que foi hoje assinalado em Lviv.

De uma população de 150 mil judeus, apenas cerca de 01% logrou sobreviver.

Nos anos do pós-guerra, com a Ucrânia integrada na União Soviética, a memória do genocídio dos judeus foi deliberadamente apagada pelo regime soviético.

As comemorações que agora se realizaram em Lviv surgem numa altura em que a Ucrânia enfrenta o crescimento de grupos nacionalistas com uma forte componente antissemita.