China nega reuniões com representantes de Juan Guaidó

13 Fev 2019 / 15:34 H.

O governo da China nega qualquer interferência nas questões internas venezuelanas, mas jornal norte-americano The Wall Street Journal diz que diplomatas chineses se encontraram com membros da oposição a Nicolas Maduro, preocupados com o negócio de petróleo.

“Uma garantia vos dou: os chineses nunca interferem com as questões internas de outros países”, afirmou segunda-feira a porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Hua Chunying.

Na terça-feira, contudo, o jornal The Wall Street Journal reportava que diplomatas chineses têm reunido em Washington com representantes do autoproclamado Presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, para discutir questões relacionadas com o negócio do petróleo.

“Esperamos que o povo venezuelano possa resolver as suas questões e resolver os problemas através de diálogos de paz e meios políticos legais, à luz da sua Constituição”, afirmou a porta-voz do governo de Pequim, em conferência de Imprensa.

Questionada pelos jornalistas sobre alegadas intenções de representantes de Juan Guaidó reunirem com o governo chinês, Hua Chunying disse que não havia qualquer intenção de interferir no complexo processo político na Venezuela, repetindo que os dois países mantêm uma “relação normal entre dois países”.

No dia seguinte a estas afirmações, o The Wall Street Journal citava fontes envolvidas nas negociações entre diplomatas chineses e membros da oposição venezuelana, que decorrem em Washington há vários dias.

Segundo as fontes do jornal norte-americano, o governo chinês está preocupado com o futuro dos projetos petrolíferos na Venezuela, financiados com dinheiro de investidores da China, nomeadamente empresas de refinação do norte da China.

Em 2018, o Presidente Nicolas Maduro esteve em Pequim, assinando vários protocolos de investimento em negócios com petróleo venezuelano, no valor de vários milhares de milhões de dólares.

Agora, de acordo com o jornal norte-americano, o governo chinês procura salvaguardar estes negócios, na eventualidade de uma transição de poder do actual governo de Nicolas Maduro, que está a ser contestado interna e externamente.

Mas o governo da China nega estes encontros e a estratégia de negociação com grupos opositores a Maduro.

“A China continuará a desenvolver a sua cooperação com o governo da Venezuela em diferentes áreas, de acordo com o princípio da igualdade e mútuo benefício”, afirmou a porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros.

Apesar de mais de 50 países terem reconhecido legitimidade ao autoproclamado Presidente interino, Juan Guaidó, a China continua a considerar Nicolas Maduro como o líder legítimo da Venezuela.

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