Angelina Jolie diz que Venezuela se tornou “numa espécie de zona de guerra”

Actriz está a fazer uma visita de três dias ao campo de refugiados venezuelanos no Peru na qualidade de embaixadora do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados

22 Out 2018 / 20:00 H.

A actriz norte-americana e enviada especial do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, Angelina Jolie, chegou domingo a Lima, capital do Peru, numa visita oficial de três dias para inteirar-se da forma como os migrantes venezuelanos estão a ser acolhidos naquele país sul-americano, um dos mais afectados pela onda de refugiados.

“A minha missão aqui é saber como é que vocês estão, é conhecer tudo aquilo por que passaram, os sacrifícios, o quão corajosos foram o quanto amam a vossa família”, transmitiu Angelina Jolie num vídeo publicado pelo jornal peruano El Comercio. “Estou aqui para ajudar a explicar que a Venezuela não é um país de onde as pessoas saem porque querem ir à procura de um trabalho melhor, mas é porque o país se tornou numa espécie de zona de guerra”, referiu, durante uma visita ao albergue “Sem Fronteiras”, localizado no bairro de San Juan de Lurigancho, no Peru.

“A situação é muito mais grave do que se pensa. Como podem as condições de vida ser boas se dois milhões e meio e pessoas já deixaram o país?!”, questionou a actriz norte-americana.

No vídeo, publicado pelo jornal El Comercio, ouve-se uma mulher venezuelana a explicar-lhe que o número de refugiados é bem maior do que aquele que é oficialmente divulgado pelo Governo. “Muitos chegaram aqui a pé, vieram a caminhar durante 17, 23 dias. Depois de ouvir essas histórias, eu acho que cheguei aqui como uma rainha. Eu vim com dólares e de autocarro porque felizmente a minha família ainda podia”, relatou a mulher perante o olhar atento da actriz, vencedora do Globo de Ouro. “Aqui chegaram muitas pessoas com crianças nos braços, sem sapatos, sem roupa, com equimoses e feridas”, acrescentou.

A ONU indicou que 2,3 milhões de venezuelanos vivem no exterior, dos quais 1,6 milhões emigraram desde 2015 devido à escassez de alimentos e medicamentos, uma crise que está a ser agravada com a hiperinflação. Um número que os migrantes dizem pecar por escasso.

De acordo com os dados oficiais, cerca de 456 mil venezuelanos residem actualmente no Peru, em comparação aos seis mil que se encontravam no país em 2016.

A presença da actriz norte-americana foi bastante saudada pelos residentes, assim como pelos voluntários de várias instituições de solidariedade social e de organizações não governamentais que fizeram questão de tirar fotografias ao lado da celebridade.

No âmbito da visita do Alto Comissariado para Refugiados na região, Jolie está a realizar uma missão de três dias para avaliar as necessidades humanitárias dos refugiados venezuelanos, os desafios que o Peru enfrenta como país anfitrião e para discutir possíveis respostas regionais ao país.

De acordo com a ONU, o Peru é “um dos países mais afectados pelo aumento dos refugiados e migrantes venezuelanos”. Na agenda oficial, Jolie vai reunir-se “com os refugiados, representantes do governo do Peru, organizações que contribuem para a resposta humanitária, programas que fornecem protecção e assistência aos solicitantes de asilo, refugiados e famílias anfitriãs, e observarão a resposta do Peru ao Refugiados e migrantes venezuelanos “.

A última vez que a actriz visitou a América Latina como enviada especial foi em 2012 para uma missão no Equador.

Recorde-se que a ONU encarregou a actriz Angelina Jolie de avaliar a situação dos migrantes venezuelanos no Peru, conforme informou hoje o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

“Uma missão de três dias para avaliar as necessidades humanitárias dos refugiados venezuelanos e os desafios enfrentados pelo Peru como país anfitrião” são as funções atribuídas à estrela de Hollywood e Embaixadora da Boa Vontade do ACNUR, segundo um comunicado da organização.

Angelina Jolie já havia visitado em Junho um campo de refugiados na Região Autónoma do Curdistão no Iraque, por iniciativa do ACNUR, e percorreu a velha cidade de Mosul, um antigo reduto do grupo extremista Estado Islâmico.

Dados divulgados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) indicam que a inflação na Venezuela deverá atingir os 1.350.000% este ano.