“A Venezuela tem os ingredientes para que a hiperinflação seja muito longa”

Especialistas prevêem mais recessão económica em 2019 agravada pelo aumento diário de 4% na taxa de inflação

15 Nov 2018 / 20:09 H.

População empobrecida, aparelho produtivo condicionado e migrações severas são consequências dos longos fenómenos hiperinflacionários, e na Venezuela os efeitos ainda agora começaram. Especialistas prevêem que em 2019 haverá uma hiperinflação galopante e uma maior deterioração económica.

“A Venezuela tem todos os ingredientes para que a hiperinflação seja muito longa”, reiterou economista Luis Oliveros, um dos oradores da 25.ª edição do Congresso da Actualidade Económica, conduzida por alunos da Faculdade de Economia da Universidade Católica Andrés Bello.

De acordo com o El Nacional, o economista alertou que se a taxa diária da inflação do país se mantiver em 4% - a média entre Agosto e Setembro -, na segunda semana de Junho de 2019 os preços anteriores a 20 de Agosto retornariam, ou seja, os 5 zeros que o governo tirou da moeda com a reconversão monetária seriam recuperados.

“Nicolás Maduro tem toda a intenção de nos levar a sermos campeões mundiais da hiperinflação. Já conseguiu isso na região, provavelmente no resto do mundo, e pode fazer ainda mais quando reúne consultores marxistas com dolarizadores equatorianos na mesma sala”, afirmou, citado pelo jornal El Nacional.

“A inflação esperada para 2018 do Uruguai é de 7,2%, o único país, além da Argentina, que terá uma inflação anual superior à registrada pela Venezuela num único dia. “Na região, levaria muitos anos para que eles tenham uma inflação mensal como a que a Venezuela apresenta”, disse.

Luis Vicente León, presidente da Datanalisis, disse que o próximo ano haverá mais empresas que ficarão paralisadas com o risco de operar em hiperinflação, e a oferta produtiva se contrairá.

“Para a magnitude da inflação, a Venezuela não está pior do que poderia ser porque tinha a maior poupança privada per capita da América Latina. Depois de 1983, nós, os venezuelanos, nunca confiamos em manter os bolívares.

O que os especialistas alertam para o próximo ano não é apenas uma continuação, mas também um aprofundamento da crise. O economista Omar Zambrano assegurou que o país enfrenta a mais severa e prolongada recessão económica em sua história moderna, além de que a nação é cega devido à ausência de cifras oficiais.

Para ilustrar a magnitude do colapso, Zambrano lembrou que de 2012 a 2017, a taxa de pobreza nos 10 concelhos mais ricos do país passou de 4,1% para 29,9%. Segundo a Anova Consultores, no ano passado havia 26,3 milhões de pessoas pobres, cujos rendimentos não eram suficientes para adquirir os bens elementares. O custo para acabar com o hiato da pobreza é de 15,3 bilhões de dólares por ano.

Em 2018, o poder de compra entrou em colapso como resultado do aumento acelerado dos preços. Oliveros acrescentou que apesar do significativo aumento salarial que entrou em vigor a 1 de Setembro, desde Janeiro o poder de compra do salário integral caiu 85%.

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