“Um porta-contentores não substitui um ferry”, diz Paulino Ascenção

11 Jan 2019 / 18:01 H.

Através de um comunicado dirigido à imprensa, Paulino Ascenção, Coordenador do Bloco de Esquerda/ Madeira, reage ao anúncio do “início do transporte de passageiros em navio porta-contentores desde o Caniçal para Leixões e depois até Lisboa, pelo grupo Sousa”, dizendo que “um porta-contentores não substitui um ferry”.

“O tempo da deslocação até a capital será de 52 horas a que acresce o tempo das operações de carga e descarga no porto de Leixões, a capacidade é de sete passageiros”, começa por apontar.

O bloquista entende que “é uma fantochada para depois vir dizer que não se justifica haver ferry o ano inteiro, pois já existe transporte marítimo de passageiros”. “Este grupo que detém a concessão do porto do Caniçal, da ligação marítima ao Porto Santo e um quase monopólio no transporte de carga para o continente, por obra do PSD-Madeira, sempre se opôs à existência de uma operação ferry, em nome dos seus interesses e contra os da população”, acrescenta.

Explica ainda que um porta-contentores não substitui um ferry, porque “a capacidade (sete passageiros) é ridícula; o tempo de viagem é quase o dobro do ferry até Portimão; a estabilidade do navio, que não foi concebido para o transporte de passageiros, torna a viagem muito mais tempestuosa”.

“A utilidade do ferry não se esgota nos passageiros, tem vantagem nas mercadorias como os produtos frescos, pois a viagem e o tempo de carga e descarga são bem mais curtos, ou os automóveis”, refere ainda.

“Em nome do interesse público”, afirma que o Bloco de Esquerda “continua a defender a existência de uma linha ferry entre a Madeira e o continente durante o ano inteiro e desafia os demais partidos, em particular os que apresentam ambição de governar a Região, de se comprometerem com a defesa do interesse geral da população e a combaterem os monopólios”.

“O PSD e o PS tem defendido maior concorrência nas ligações aéreas para a Madeira, mas não enxergam a situação de quase monopólio no transporte marítimo de carga que decorre da concessão do porto do Caniçal e encarece a vida a todos os madeirenses. Esses partidos terão receio de beliscar os interesses do grupo económico que domina o negócio da carga marítima e explora o porto do Caniçal? Pretendem defender o interesse público ou os interesses privados?”, interroga.

E conclui que “o ferry também contribui para aumentar a concorrência no negócio do transporte marítimo de carga”.

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