Trabalhadores da Portway preocupados com alteração do subsídio de mobilidade

13 Fev 2020 / 16:58 H.

Os membros da Comissão de Trabalhadores da empresa Portway, Handling de Portugal S.A., estão preocupados as consequências da alteração do subsídio social de mobilidade para os residentes da ilha da Madeira.

A posição foi assumida, esta quinta-feira, 13 de Fevereiro, numa nota dirigida à imprensa, e surge na sequência da aprovação na Assembleia da República da proposta do PSD-Madeira quanto à alteração ao subsídio social de mobilidade para a Madeira, no sentido de que os residentes paguem apenas o preço estipulado para as passagens aéreas de ida e volta - 86 euros para os residentes e 65 euros para os estudantes -, sem terem de adiantar valores passíveis de reembolso.

“É inequívoco que esta medida vem beneficiar todos os madeirenses, reforça o princípio de continuidade territorial e diminui o impacto da insularidade. Contudo, esta aprovação da alteração do pagamento deste subsídio, trouxe muitas preocupações aos trabalhadores da Portway, em especial aos trabalhadores da escala do Funchal pelo facto da EasyJet e Transavia ameaçarem abandonar as rotas domésticas”, expõe a Comissão de Trabalhadores da empresa Portway, acrescentando que “as posições das companhias aéreas devem-se exclusivamente a uma interferência política”.

“Lamentamos que o secretário Regional de Turismo e Cultura da Madeira, considere um ‘bluff’ a posição da EasyJet, será que a Transavia também está a fazer “bluff”?”, questiona a empresa de handling, sublinhando que “esta posição é de uma irresponsabilidade sem precedentes”. “Ambas as companhias são assistidas pela Portway e isso está a pôr em causa centenas de postos de trabalho”, sustenta a Comissão.

Por outro lado, os trabalhadores da Portway colocam a questão: “Será que a EasyJet, a Transavia e Portway servirão como moeda de troca para que o governo atinja um antigo desejo de a Madeira ter um terceiro operador a fazer ligação entre Lisboa e o Funchal?”

A Portway presta assistência na Região Autónoma da Madeira à EasyJet desde 2007. Em 2008 passou a assistir os voos domésticos (Lisboa-Funchal e Porto-Funchal). Já em 2019, a Portway Handling de Portugal S.A. prestou, em 2019, assistência a mais de 2 mil voos domésticos da EasyJet só na escala do Funchal e a mais de 5 mil a nível nacional.

Por seu turno, a Transavia realiza voos de ligação com origem e destino do Porto desde 2010, e só em 2019 foram assistidos na escala do Funchal pouco mais de 1400 voos e a nível nacional mais de 2800 voos transportando mais de 200 mil passageiros.

“Estes números demonstram bem o impacto económico que a Portway poderá sofrer pela falta de prudência do poder político”, reforça a Comissão de Trabalhadores da Portway, notando que “até a APAVT tem dúvidas que o novo regime do subsídio de mobilidade na Madeira favoreça a actividade do sector”.

“Estamos seriamente preocupados com a possibilidade da deterioração das condições de trabalho e perda de postos de trabalho a nível nacional”, enfatiza a empresa, relembrando que, em Julho de 2018, o vice-presidente do Governo Regional da Madeira afirmou estar confiante que seria encontrada uma solução para as companhias low-cost, como a EasyJet, serem compensadas na questão do subsídio de mobilidade nas viagens entre a ilha e o continente.

“Gostaríamos de saber que medidas foram criadas para salvaguardar os interesses dos trabalhadores da Portway Handling de Portugal S.A. no Funchal?”, indaga a Comissão, apelando ainda “ao bom senso de todos os intervenientes no processo”.